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Boulos: “Condenação de Lula deixa claro dois pesos e duas medidas”

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A segunda condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decorrente de investigações da operação Lava Jato repercutiu na imprensa internacional e provocou revolta entre alguns de seus principais aliados.

 

Um deles é o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo Guilherme Boulos, que denunciou a motivação política do episódio destacando outros personagens da institucionalidade alvos de processos judiciais ainda sem punição.

 

“Você olha hoje e vê Michel Temer solto, Romero Jucá solto, Aécio Neves não só solto como deputado federal na Câmara, Flávio Bolsonaro, um elemento importante indicado para fazer parte da mesa do Senado Federal. Isso já deveria no mínimo levantar uma suspeita de que a prisão do Lula se deu por motivações políticas, para retirá-lo da vida política, e se colocarmos uma comparação nessa balança de dois pesos e duas medidas, fica muito claro para todo Brasil”, acusou.

 

O petista foi sentenciado com pena de 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro por meio de reformas no sítio de Atibaia. A condenação se deu em primeira instância, pela juíza substituta Gabriela Hardt, que ocupa a vaga deixada por Sérgio Moro na Justiça Federal de Curitiba, e cabe recurso.

 

Aliás, a prisão do ex-presidente no ano passado por consequência do processo relativo à suposta aquisição de um triplex no Guarujá, e que teve como protagonista o atual ministro da Justiça, indica para Boulos o caráter eleitoral da pena.

 

“O que chama atenção, e acho que deveria chamar atenção de todo mundo, é que temos o Lula preso sobretudo motivado por um juiz que, depois de prender, condenar visando sua candidatura, se torna ministro, subordinado político do principal adversário, do principal beneficiado da saída de Lula da disputa eleitoral. Não tenho a menor dúvida que aquela condenação foi para tirar o Lula das eleições”, decretou o candidato à presidência pelo PSOL em 2018.

 

O governo de Jair Bolsonaro também foi alvo de críticas do coordenador do MTST, em especial o projeto anticrime proposto por Moro e o rascunho da reforma da Previdência preparado pela equipe do super ministro da Economia Paulo Guedes e divulgado na imprensa esta semana.

 

“O modelo da reforma da previdência que Bolsonaro está utilizando junto com seu ministro Paulo Guedes é o modelo chileno que foi feito durante a gestão do ditador Augusto Pinochet, onde se tem o regime de capitalização. O nome parece bonito, mas, na capitalização, se você não pagar, não terá direito a aposentadoria. Esse modelo é deletério e simboliza o que é a agenda do governo Bolsonaro”, relatou.

 

Outra ponderação de Boulos diz respeito à militarização da gestão pública federal e o risco de imposição do autoritarismo, algo que preocupa os movimentos sociais. Entretanto, o dirigente da Frente Povo Sem Medo promete organização popular diante de tais ameaças:

 

“Não se pode acreditar que isso será posto sem resistência. Haverá mobilização do povo, não somos sangue de barata. O povo brasileiro não vai assistir a uma retirada brutal de direitos, inclusive a perda de liberdade democráticas, sentado no sofá. Vai haver resistência popular contra as medidas que toquem na nossa dignidade e nos nossos direitos historicamente conquistados”.

 

Na próxima semana haverá uma reunião entre duas das principais entidades de mobilização social do país, as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, para organização das ações contra o governo. Além disso, as centras sindicais estão discutindo a formação de um movimento grevista após o início da tramitação do projeto de reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

 

Ouça a íntegra da entrevista de Guilherme Boulos:

 

 

Entrevista em 07.02.2019

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