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“Contas correntes em dólar já deram errado na Argentina”, alerta Mineiro

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A ideia do Banco Central em ampliar o leque de autorizações para o estabelecimento de contas correntes em dólar no Brasil é vista com reservas por muitos especialistas em economia. Um projeto de lei que trata deste tema foi encaminhado pela autoridade monetária ao Congresso na última segunda-feira (07).

 

Um dos críticos ao tema é o economista Adhemar Mineiro. Ao analisar a proposta, ele destacou que o processo de dolarização da economia do país precisa de regras rígidas. Do contrário, há o risco de termos um quadro de desgaste semelhante ao que acontece em um dos nossos países vizinhos.

 

“É mais um passo na desregulamentação financeira e a gente tem de ver como isso vai ser proposto, se é que de fato será proposto, qual será a regulamentação, quais as restrições. Agora de fato é mais um passo em relação a essa liberalização financeira, curiosamente no momento em que esse processo parece refluir em vários países do mundo. Essa história de contas correntes em dólar já deu errado na Argentina, é bom, inclusive, que as pessoas prestem atenção nisso”, disse.

 

“Uma vez liberalizado, é possível que haja uma tentação de as pessoas caminharem para contas em dólar. Os pequenos correntistas em dólar, no caso da Argentina, já perderam na virada desse século e podem perder de novo agora, já há recursos com restrições de movimentação. Isso serve muito bem para os grandes que usam como mais um mecanismo para fuga de divisas, mas, para os pequenos, acaba sendo um problema”, avisou o especialista.

 

Mineiro destacou o fato de que situação semelhante se dá no Equador, onde se adotou a iniciativa de dolarizar a economia como parte de um acordo estabelecido com o Fundo Monetário Internacional (FMI), medida que não teve retrocesso sequer no governo dito de esquerda de Rafael Correa. Atualmente o país atravessa um momento de forte reação da sociedade organizada, acuando o atual mandatário Lenín Moreno e provocando risco de sua queda do cargo.

 

O temor do economista se baseia no fato de que pode haver dificuldade em se voltar atrás no estabelecimento deste tipo de plano, visto a necessidade de estabelecimento de normas com organizações internacionais. Além disso, a introdução de outra moeda no país pode provocar uma segregação ainda maior entre os que detêm a hegemonia do poder econômico e os trabalhadores assalariados.

 

“É uma medida grave a introdução da circulação interna de outra moeda. Pode ser que se crie um ambiente em que você tem a moeda dos ricos, que vai circular aqui dentro, e a moeda dos pobres, essa que o setor informal vai usar para pagar ônibus, etc. Então há de se ver o que vem na regulação. Agora, o caminho já começa errado e daí quanto mais você avançar, é muito perigoso”, finalizou Mineiro.

 

Ouça a entrevista de Adhemar Mineiro na íntegra:

 

 

Entrevista em 09.10.2019

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