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Damasceno sobre morte de Adriano: “Não vemos nem ponta do iceberg”

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O enredo que envolve a morte do capitão Adriano pela Polícia Militar da Bahia, no último domingo (09), cada dia se complica mais. Ontem a Justiça do Rio de Janeiro, através de duas decisões, proibiu a cremação do corpo do ex-integrante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), requisitada por sua família.

 

A legislação impõe autorização judicial para cremação de corpos em que a morte tenha sido provocada por causas violentas. Curiosamente, o senador Flávio Bolsonaro, amigo do miliciano morto, se posicionou pela primeira desde o assassinato.

 

O ex-deputado estadual condenou, em uma rede social, uma suposta tentativa de ‘sumir com as evidências de que ele [Adriano] foi brutalmente assassinado’. O filho do presidente da República requisitou ainda que as autoridades impedissem a cremação e elucidassem o caso.

 

A defrontação das informações colhidas até agora levou o juiz da Associação Juízes para Democracia João Batista Damasceno a levantar suspeitas em relação às circunstâncias do assassinato do capitão Adriano, lembrando uma atitude de Flávio Bolsonaro quando ainda ele ocupava um cargo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

 

“Dessa situação toda, não estamos vendo nem a ponta do iceberg, é muito maior. Há sete anos, coloquei um quadro no meu gabinete, uma obra do [cartunista] Carlos Latuff, com um homem negro crucificado sendo alvejado por um policial. O então deputado estadual Flávio Bolsonaro colocou a cachorrada toda contra mim, além de ter oficiado ao Tribunal de Justiça. Se instalou procedimento, mandou apreender o quadro, que acabou sendo leiloado e com parte do dinheiro se comprou e mobiliou uma casa para a família do Amarildo, além de ter ajudado outras instituições que defendem os direitos humanos”, lembrou.

 

“Não sabia naquela época da existência dessa rede de milicianos no entorno do então deputado estadual, pensei que ele apenas defendesse abstratamente a truculência e a violência. Neste caso agora há algo muito estranho porque a certidão de óbito atesta que a causa mortis é anemia aguda, politraumatismo, instrumento perfuro contundente, e a juíza colocou isso em caixa alta na decisão como um dos fundamentos para indeferir o pedido de cremação. Não sei o que poderia ter causado politraumatismo no corpo do Adriano. Há coisas obscuras que precisam de ser esclarecidas”, prosseguiu o magistrado.

 

A versão da polícia baiana para a operação de cerco em um sítio que servia de esconderijo ao miliciano na cidade de Esplanada, em uma área rural, isolada, também apresenta incongruências na opinião de Damasceno.

 

“Como que 70 homens cercam um único homem, não esperam ele se render. A própria casa não está grandemente alvejada a ponto de demonstrar que houve uma intensa troca de tiros, ou seja, está tudo muito obscuro, é muito difícil manifestar qualquer coisa”, observou.

 

O membro da Associação Juízes para a Democracia ressaltou que o ex-policial comandava uma das organizações criminosas mais perigosas do Rio e comparou o episódio que culminou na morte do capitão Adriano com a execução da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

 

“Ninguém mata o chefe sem autorização, quem é o chefe do chefe? Essa história está cada dia mais difícil. Assim como no caso Marielle, há uma pergunta: quem teria contratado pessoas tão profissionais, qualificadas, e não é barato, com todo aquele aparato inclusive para ocultar o crime, clonando carro, seguindo por meses, e qual era a finalidade daquela contratação? Ou seja, tem muita coisa que não está aparecendo. A quem interessava a morte do Adriano?”, indagou.

 

Ouça a íntegra da entrevista de João Batista Damasceno:

 

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