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“Direita tem um plano estruturante para América Latina”, avalia Daniel

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Os processos revoltosos que se ampliam pelos países da América Latina, alguns representados por resultados eleitorais difusos, apontam para o panorama de caos que atinge a região, sem um direcionamento político ideológico definido. A esperança que o avanço da esquerda no Chile e na Argentina apresenta é prontamente encoberta pelas manifestações liberais na Bolívia e no Uruguai.

 

O entendimento da situação tem se tornado complexo até mesmo para especialistas em política internacional. Os diagnósticos diversos, com a entrada constante de novos atores, como a Colômbia, apontam para a influência de potências globais, como Estados Unidos e China, buscando o protagonismo no cenário geopolítico.

 

O professor de Relações Internacionais da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e membro do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Daniel Corrêa da Silva avaliou que as seguidas eclosões populares no continente estão no bojo de um projeto idealizado pelo grande capital.

 

“A direita tem um plano estruturante para a América Latina. O que temos no liberalismo de esquerda são elementos pontuais que lidam com a conjuntura ou com elementos factuais, portanto as debilidades desse projeto liberal na América Latina vão aparecendo cada vez mais”, observou.

 

“Dentro desse escopo, podemos vislumbrar que quando um caso como o das eleições da Argentina, por exemplo, apontou a vitória Alberto Fernández e Cristina Kirchner, a esquerda brasileira comemorava porque achava que o Brasil de amanhã seria a Argentina de hoje, e o golpe na Bolívia jogou um balde de água fria nesse cenário. Depois começam os protestos no Chile, que fazem a esquerda liberal em geral, sobretudo aqui no Brasil, celebrar o Chile de hoje como se fosse também o Brasil de amanhã já chegando ao esgotamento das reformas liberais do Paulo Guedes, mas o Chile de hoje também pode ser o Brasil de 2013”, alertou o docente, fazendo referência à onda de manifestações no país que culminaram, dois anos depois, com o impeachment de Dilma Rousseff.

 

A dinâmica dos movimentos na região mostra, de acordo com Daniel, situações complexas, mas bem definidas e que preocupam pelo seu caráter antitrabalhista, ainda que tenham a predominância popular. O membro do IELA citou o exemplo mais recente.

 

“Há uma condição clara, definida, com um rechaço completo não só dos partidos políticos, mas dos mecanismos tradicionais de organização da classe trabalhadora, o que tende a ser muito perigoso porque pode se apropriar de projetos totalizantes à direita. Se formos pensar no caso da Colômbia, vale a pena colocar algumas questões sobre ela, porque o que temos já está implementado há quase duas décadas, é um modelo de terrorismo de Estado, em que as instituições, a despeito de funcionarem plenamente, colocam todo e qualquer sujeito que esteja disposto a fazer luta social dentro da ilegalidade, ele tende a ser eliminado”, comentou.

 

A observação do quadro pelos progressistas se resume à análise de situações específicas, sem a ideia de uma avaliação estrutural, que tem influência direta do imperialismo estadunidense, conforme indicou o professor da Univali.

 

“Como isso faz parte de um plano continental, o diagnóstico tem de ser totalizante e a direita está com o diagnóstico totalizante, que vem do Departamento de Estado dos Estados Unidos. O grau repressivo tem de aumentar, nem que isso signifique o cancelamento das democracias liberais na América Latina. A esquerda está perdida dentro de uma de dinâmica tacanha, fica observando pontualmente os casos que vão acontecendo e vão vivendo ciclos de frustração e de esperança, mas não conseguem ter um bojo totalizante”, encerrou.

 

Ouça a entrevista de Daniel Corrêa da Silva na íntegra:

 

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