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Docente diz que derrubada de avião pode segmentar Irã e favorecer EUA

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A admissão de culpa pelo governo iraniano no episódio do bombardeio que resultou na queda, por engano, de um avião comercial ucraniano, com a morte do todos os 176 ocupantes, deve ter efeito devastador para o país do Oriente Médio, favorecendo a retórica e as ações de presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

 

Além da pressão da comunidade internacional pelo erro das autoridades militares, manifestações populares tomaram as ruas de Teerã no último final de semana contra o assassinato de cidadãos do país asiático, maioria dos que embarcaram na aeronave.

 

A análise pessimista foi feita pelo professor de Relações Internacionais da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e membro do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Daniel Corrêa da Silva.

 

“Mesmo antes do ataque ao general Soleimani, o Irã já vivia questionamentos internos. O primeiro semestre de 2019 já foi atravessado por muitas manifestações da população, e quando acontece o assassinato, isso deu uma possibilidade ao governo de reconstituir boa parte da coesão política interna”, lembrou.

 

“No entanto, esse último episódio da derrubada do avião coloca sob risco muito grande a estabilidade política do governo iraniano, podendo abrir um flanco para que a desestabilização do regime do Irã ou o enfraquecimento do seu poder, da sua influência regional, possa acontecer sem que os Estados Unidos continuem investindo nesses recursos bélicos, nos ataques militares mais pontuais, o que para os Estados Unidos não seria interessante nesse momento”, prosseguiu o analista.

 

Os protestos da população iraniana no último ano foram provocados especialmente pela degradação das condições de vida no país, em função do bloqueio econômico exercido pelo governo estadunidense para desestabilizar o regime local.

 

Enquanto isso, a justificativa utilizada pelo presidente Donald Trump para a ação militar que vitimou Qasem Soleimani caiu por terra por após uma declaração do Secretário de Defesa dos Estados Unidos Mark Esper.

 

O integrante do governo disse à rede de TV CBS não haver evidências de que o Irã planejava atacar quatro embaixadas do país norte-americano no mundo, como havia dito anteriormente o mandatário que busca reeleição.

 

“Isso mostra que sob nenhuma circunstância se pode confiar no Departamento de Estado dos Estados Unidos como fonte de informação. Geralmente a banda ocidental, sobretudo obviamente potencializada pelos meios de comunicação, tende a adotar esse caminho. O Trump usou o mesmo recurso ou a mesma retórica de um ataque preventivo, tal qual os Estados Unidos no início deste século promoveram uma guerra ao terror também com o pretexto de prevenir que houvesse novos ataques ao seu território. Portanto o conceito da guerra preventiva é utilizado mais uma vez por um presidente estadunidense”, disse Daniel.

 

Ouça a íntegra da entrevista de Daniel Corrêa da Silva:

 

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