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Docente retruca Bolsonaro: “Pedro II não pode ser associado a acabar”

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Dentre as já inúmeras declarações controversas do presidente Jair Bolsonaro nesses dias iniciais de 2020, destacam-se as dadas na última sexta-feira (03), quando o mandatário defendeu mudanças nos livros didáticos, alegando que eles têm ‘muita coisa escrita’, e disse que as esquerdas ‘acabaram’ com o tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

 

Além de críticas pela postura ofensiva à educação do país, o político provocou a indignação do professor de Sociologia e Ciências Sociais da instituição federal Vinícius Fernandes da Silva, que divulgou nas redes digitais uma carta em resposta.

 

Na publicação, viralizada após a divulgação do jornalista Luís Nassif e lida no editorial desta terça-feira (07) do Faixa Livre, o docente destacou o termo usado por Bolsonaro para demonstrar a importância e a excelência do centro de ensino centenário na cidade.

 

“Fui pego com perplexidade quando acordei e vi a notícia e quando li a palavra acabar. Acabar é um verbo muito forte porque é definitivo e fiquei muito assustado porque o Pedro II pode ser associado a muitas palavras no momento, historicamente, mas jamais acabar. Me senti na obrigação, como professor, como funcionário público e representante da instituição, em escrever um texto respeitoso, mas pensei em como utilizar essa palavra para explicar o que é o Pedro II. Rapidamente tive a ideia e, para minha surpresa, o texto teve uma repercussão muito grande”, disse Vinícius.

 

Ainda que intencional, o rápido compartilhamento da publicação, na opinião do professor, se deve ao reconhecimento que a instituição recebe dos fluminenses e à construção de uma imagem de confiança ao longo do tempo.

 

“Quando escrevi esse texto, minha intenção não era que viralizasse, tivesse alcance, escrevi muito mais com um sentimento pessoal de indignação. O que mais me deixa feliz, e aí não é uma questão pessoal, é perceber o quanto a população principalmente no Rio de Janeiro tem carinho, admiração e respeito pelo Colégio Pedro II. Acho que a viralização do texto é a expressão coletiva de como a população vai proteger o Pedro II”, destacou.

 

O quadro atual do ensino público no país provoca preocupação a Vinícius. Mesmo que a instituição onde leciona tenha qualidade superior à maioria das escolas, ele prega a priorização na aplicação de verbas das três esferas de poder para a educação, utilizando outro centro como experiência.

 

“Estamos em uma posição de certo privilégio no Pedro II. Temos os nossos problemas, as nossas limitações, mas acho que a grande pergunta que a população tem de fazer é porque as outras redes, municipais e estaduais, não possuem um investimento nos alunos e no corpo docente que, por exemplo, o Colégio Pedro II e o Colégio Militar possuem. Não desejo que todos os colégios sejam iguais ao Pedro II, essa não é a questão, mas gostaria que os investimentos nos professores e na estrutura que o colégio possui fossem replicados para todas as redes. Aí sim, efetivamente, a gente poderia ter uma revolução educacional e social nesse país”, concluiu.

 

Ouça a entrevista de Vinícius Fernandes da Silva:

 

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