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Economista alerta para volatilidade dos dados de recuperação no país

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O otimismo dos analistas econômicos da mídia dominante e dos integrantes da administração federal, liderados pelo ministro da Economia Paulo Guedes, foi freado pela divulgação dos dados consolidados de inflação para 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou no mês de dezembro, pressionado pela alta das carnes no país, e fechou o ano em 4,31%, acima do centro da meta, estipulado em 4,25%. Este é o maior índice de inflação desde 2016, quando os dados apontaram um crescimento nos preços de 6,29% ao final dos 12 meses.

 

O professor de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Victor Araújo não considera o anúncio do indicador negativo para o Governo Federal como inesperado, levando-se em conta a instabilidade econômica a qual o Brasil atravessa.

 

“Nenhuma surpresa, já vinha alertando em várias oportunidades que os dados de conjuntura têm demonstrado certa ambiguidade e volatilidade. Os dados de 2018 e 2019 dos diferentes tipos de acompanhamento, indústria, comércio, serviços e mesmo o mercado de trabalho, nenhum deles tem apontado para uma recuperação inexorável. Eles melhoram um, dois, três meses e depois pioram mais um ou dois, têm apontado para essa enorme incerteza no sentido da recuperação que os economistas de bancos, liberais e a imprensa, os apoiadores do governo Bolsonaro, tentam convencer a população de que está tudo indo bem, melhorando”, comentou.

 

O sinal de alerta para um cenário de estagnação continuado da economia no país não diz respeito apenas às decisões internas do governo. A constante saída de capitais no Brasil registrada pelos institutos aponta para uma atratividade de investimentos em outros mercados, combinada à queda da taxa de juros oficial.

 

“O problema do Brasil é extremamente integrado aos mercados financeiros internacionais, as saídas de recursos hoje em dia não refletem necessariamente a decisão de investidores estrangeiros. Podem refletir também a decisão de brasileiros tentando buscar alternativas de maior rentabilidade no exterior, uma vez que a taxa de juros doméstica chega, ao que parece, no seu piso histórico. Isso vai levando a esse movimento de uma taxa de câmbio mais desvalorizada, se torna menos atraente para o investidor no curto prazo, então ele vai buscar investir em imóveis, investir no exterior, tentar a bolsa de valores, outras alternativas de valorização”, avaliou Araújo.

 

O incremento do setor de construção civil, alardeado pela equipe de Bolsonaro, não deve apontar para um avanço da atividade econômica, na opinião do professor, visto que o crescimento não é sustentado por investimentos do Estado na infraestrutura do país.

 

“Não podemos deixar de lembrar quais foram os momentos da história nas últimas décadas em que a construção civil viveu momentos pujantes: no governo de Juscelino Kubitschek, o plano de metas, depois durante a ditadura militar, o milagre econômico no final da década de 1970, e agora mais recentemente no segundo governo Lula e o primeiro de Dilma. Esses períodos têm em comum épocas de grandes obras. A construção civil tem dado esse sinal de recuperação, mas é na construção de unidades habitacionais, imóveis para o setor corporativo, construção de lojas comerciais, mas não há grandes obras. A pujança da construção civil depende das grandes obras, que estão paralisadas. Há levantamentos que apontam, os mais otimistas, cerca de 7500 obras públicas paradas”, diagnosticou.

 

Ouça a entrevista de Victor Araújo:

 

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