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Editorial – 01.11.2019

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Eu diria que o circo está montado. As manchetes dos jornais todas priorizam essa declaração estapafúrdia do senhor Eduardo Bolsonaro defendendo um novo AI-5 frente à radicalização da esquerda. É manchete na Folha de S. Paulo, onde é espantado que “Congresso e partidos reagem a fala de Eduardo sobre AI-5”, é manchete do jornal o Globo onde se aponta que “Eduardo sugere novo AI-5, é repreendido e se desculpa”, e sem sombra de dúvidas são declarações muito graves.

 

Porém, muito mais grave é o que está ocorrendo em torno da chamada investigação que apura os responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco. Se não, vejamos. Anteontem as procuradoras que estão neste caso aqui no Rio de Janeiro rapidamente se posicionaram descredenciando as afirmações do porteiro que afirma que no dia em que Marielle Franco foi assassinada, Elcio Queiroz, o suposto motorista desse assassinato, esteve não só no condomínio de Jair Bolsonaro, e onde também mora o Ronnie Lessa, o suposto assassino da própria vereadora, e teria sido autorizado a entrar nesse condomínio a partir de uma voz que veio da casa do próprio Bolsonaro.

 

Para o porteiro, era o próprio Jair Bolsonaro. Não se sabe se essa ligação foi diretamente feita para a casa do Bolsonaro ou para algum celular de posse de Bolsonaro, porque ele se encontrava nesse dia em Brasília, isso é fato. O que não é fato são essas declarações das procuradoras que, com base em uma perícia, simplesmente descredenciam completamente as informações desse porteiro. O problema é que a perícia realizada não envolveu acesso à máquina onde os arquivos foram originalmente gravados. Essa perícia também foi solicitada apenas algumas horas antes da própria entrevista onde essas procuradoras dispensaram e desconsideraram essas afirmações do porteiro.

 

E para agravar esse caso, ao menos uma dessas procuradoras, a senhora Carmen Carvalho, é declaradamente simpatizante de Bolsonaro, tendo apoiado inclusive a sua campanha presidencial. Francamente, essa história está completamente mal contada e, para agravar, um dia depois, surge essa declaração de Eduardo Bolsonaro que atrai todo o furor oposicionista.

 

Tanto é que o próprio jornal Folha de S. Paulo, que deu o furo a respeito dessa perícia que na verdade não foi realizada, isso que se conclui, ou pelo menos foi feita de maneira completamente superficial, não permitindo essas conclusões que apressadamente as procuradoras fizeram questão de publicizar, deixou de dar destaque ao seu próprio furo, que foi feito no dia de ontem.

 

Convenhamos, me parece que toda essa situação acaba sendo muito cômoda para a família Bolsonaro. O que temos de investigar é quem mandou matar Marielle, por que mandou matar Marielle, e cada vez mais essas suspeitas se aproximam da família de Bolsonaro. Porque a oposição não prioriza justamente essa questão aprofundando as investigações, exigindo uma postura minimamente responsável inclusive do Ministério Público? Essa é a questão central, nós não podemos deixar esse caso mais uma vez, entre outros escândalos brasileiros, ir para o esquecimento ou para essa enrolação que essa turma envolvida na investigação está promovendo.

 

Aliás, essa investigação já há muito é suspeita de estar sendo completamente viciada. Existe também uma própria investigação da Polícia Federal a respeito dessa investigação, que até o momento, depois de muitos e muitos meses, não ofereceu nenhum tipo de esclarecimento mais palpável. Estamos acompanhando e lamentamos que mais uma vez a oposição, de alguma maneira, caia no jogo dessa família Bolsonaro. É evidente que a fala de Eduardo Bolsonaro é gravíssima, mas muito mais grave é termos um presidente da República envolvido com milicianos, com pastores picaretas e, ainda por cima, suspeito de participação em um crime dantesco como esse que eliminou Marielle Franco.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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