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Editorial – 02.09.2021

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Depois de um dia sem depoimentos, a última quarta-feira (02) teve algumas surpresas na CPI da Pandemia. O empresário Marcos Tolentino, apontado como sócio oculto da FIB Bank, que tinha sua oitiva marcada para ontem, acabou alegando problemas de saúde e não compareceu à comissão. Ao mesmo tempo, o motoboy da VTCLog, empresa que presta serviços para o Ministério da Saúde, Ivanildo Gonçalves, que havia declinado de comparecer ao Senado após autorização do Supremo Tribunal Federal, voltou atrás e resolveu falar na investigação.

 

E o rapaz de origem humilde deu uma série de esclarecimentos importantes aos parlamentares, acabou confirmando informações das quais os senadores já tinham conhecimento. É importante lembrar que Ivanildo sacou, em dinheiro vivo, cerca de R$ 4,7 milhões a serviço da VTCLog para, segundo ele, pagar boletos da empresa.

 

Em um desses saques, Ivanildo retirou R$ 430 mil na boca do caixa, na véspera do Natal de 2018, informação referendada por ele. A suspeita da CPI é de que esses valores tenham sido sacados para pagamento de vantagem indevida para Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde. Aliás, o motoboy chegou a pagar contas em nome de Dias, além de ter visitado o setor em que ele trabalhava na Pasta em, pelo menos, duas ocasiões no ano de 2020, uma delas para entregar um pen drive.

 

Chama atenção que, no ano passado, quando a pandemia explodiu no país, nenhum saque foi feito por Ivanildo em nome da VTCLog, sendo retomados no início de 2021. A senadora Simone Tebet (MDB-MS) chegou a ressaltar que as datas dos saques esse ano coincidem com os reajustes do contrato do Ministério da Saúde com a empresa.

 

A título de informação, Roberto Dias ignorou um parecer técnico e aceitou pagar um valor 1800% maior que o recomendado à VTCLog, destinando R$ 18 milhões ao serviço de recebimento e organização de medicamentos, pagamento que foi questionado pela consultoria jurídica da Pasta.

 

A Comissão Parlamentar de Inquérito vem ligando as peças desse intrincado tabuleiro e constatando que os escândalos liderados por esse Roberto Ferreira Dias no Ministério da Saúde já acontecem bem antes do início da pandemia, vindo desde o primeiro ano da gestão de Jair Bolsonaro, em 2018. Isso prova, mais uma vez, que esse discurso de combate à corrupção do ex-capitão só ficou na campanha eleitoral.

 

Eu queria fazer apenas outros dois registros rápidos, mas não menos importantes, que são, primeiro, essa quebra dos sigilos bancário e fiscal do vereador no Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, o famoso zero dois, autorizado pelo Tribunal de Justiça na investigação que apura a contratação de funcionários “fantasmas” no gabinete do parlamentar. O Ministério Público do Rio levantou a possibilidade da existência de um esquema de “rachadinha” semelhante ao que ocorria no gabinete do irmão e então deputado estadual Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa fluminense. Está mais do que claro que esse era o modus operandi da família do presidente para tirar proveito ilícito da atividade política.

 

Para encerrar, tivemos a notícia dessa retração do Produto Interno Bruto em 0,1% no segundo trimestre do ano no país na comparação com os três meses anteriores, quando o governo esperava alta desse indicador. A queda foi impulsionada pelo setor de agropecuária, que registrou perdas na casa dos 2,8% no período. Nós vamos tratar a respeito desse tema com profundidade no programa nos próximos dias, mas é fundamental dizer que essa política irresponsável do senhor Paulo Guedes, de privilegiar o capital estrangeiro, abrindo mão dos investimentos públicos, está mais do que provada que não vai nos levar a lugar algum. Esse criminoso teto de gastos precisa ser revisto imediatamente para que o Brasil tenha alguma chance de sair do atoleiro.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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