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Editorial – 05.02.2020

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O Banco Central define hoje a nova taxa Selic. A previsão do mercado financeiro, que de alguma maneira sinaliza as próprias decisões do Banco Central, costumamos dizer aqui que o Banco Central em geral ratifica as posições do mercado financeiro, por incrível que isso possa parecer, mas essas estimativas do mercado financeiro apontam que possivelmente o Comitê de Política Monetária do Banco Central irá reduzir mais uma vez a taxa Selic em 0,25% e isso vai levar a taxa Selic a uma situação inédita, teríamos uma taxa de 4,25% ao ano.

 

Isso representa frente, inclusive, às estimativas da inflação, que ficou abaixo da meta desse ano, vai nos colocar em uma outra situação inédita que é a taxa real de juros cada vez menor. Isso mostra muito bem as próprias dificuldades da economia brasileira paradoxalmente, porque essa situação de uma taxa de juros bem reduzida, na verdade, seria uma situação ideal. O problema é que isso está se dando em meio aos escombros da economia brasileira que, desde 2015, vem sofrendo abalos muito fortes.

 

Naquele ano, bem como no ano seguinte, 2016, tivemos o maior recuo da nossa história em termos da evolução do PIB e em 2017, 2018, 2019 mantiveram a economia brasileira praticamente estagnada. No final do ano passado, houve todo aquele oba-oba tanto do governo, quanto da mídia dominante a respeito da black friday, a tal da sexta-feira de liquidações, a propósito da liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço para os trabalhadores, tudo isso fez com que o otimismo fosse trabalhado dentro das editorias de economia, mas a realidade está falando mais alto.

 

Ontem saiu o resultado da produção industrial em 2019 e ele foi muito ruim, uma queda de 1,1% em relação ao ano anterior, e se formos observar o que acontece, chama a atenção não só a queda das indústrias extrativas puxado, principalmente, pela crise da Vale em função da tragédia de Brumadinho, como também a queda na manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos. Isso é um dado muito importante, ambos os setores caíram mais de 9%, manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos, caindo 9,1%, e as indústrias extrativas, puxadas pela mineradora Vale, tiveram uma queda de 9,7%.

 

Outros equipamentos de transporte também apresentaram uma queda significativa de 9% e por aí vai. Com isso, os bancos que dominam a economia brasileira e a política econômica, eu sempre lembro que a macroeconomia que temos é para sustentar a liberalização financeira que, principalmente, interessa a bancos e multinacionais por suas relações com o mercado internacional. É um grande negócio, por exemplo, ou pelo menos era um grande negócio, pegar dinheiro lá fora e aplicar aqui dentro nessa mamata que significa a taxa de juros paga pelo governo. Com isso muita gente tem ganhado muito dinheiro, principalmente a turma do mercado financeiro nos últimos anos aqui no Brasil apesar das dificuldades econômicas, e essa é uma grande questão.

 

Nós precisamos de lideranças políticas, partidos políticos, principalmente, que encarem o desafio da economia brasileira. A última experiência que nos deu o otimismo foi justamente a chegada do PT no Governo Federal em 2002, mas foi naquele ano também que o PT de alguma maneira se comprometeu com essa macroeconomia da liberalização financeira, acabou sendo apresentada para o povo brasileiro aquela carta famosa do Lula onde ele se comprometia como o tal do tripé macroeconômico, que é o objeto de desejo dessa turma que domina a política, a economia brasileira desde os anos 1990.

 

Portanto, mais do que nunca, depois desses dois anos de recessão, três anos de estagnação, é necessário que as lideranças políticas encarem a questão econômica para valer e apresentando suas alternativas. Somos de opinião que não é possível continuarmos sob o regime inaugurado no país a partir das reformas dos anos 1990, que envolveram a macroeconomia, o patrimônio do Estado, o modelo administrativo do Estado e a própria Reforma Bancária feita pelo Proer. Essas questões devem ser enfrentadas no sentido de a gente recuperar através do Estado nossa capacidade de governar o país, principalmente tendo uma moeda sob nosso controle porque toda invenção do Real atrelou nossa moeda a essa movimentação especulativa do dólar no nosso país.

 

Isso precisa ser superado, bem como algumas questões gravíssimas precisam ser superadas. A questão, por exemplo, da estrutura tributária brasileira é um escândalo total, ou mesmo o tal do Pacto Federativo, não da maneira como Paulo Guedes e Bolsonaro querem, impondo mais arroxo ainda a estados e municípios, mas simplesmente mudando a política macroeconômica e desconcentrando recursos que hoje estão concentrados na esfera da União. O que precisamos, na verdade, são lideranças a altura deste desafio e a ousadia de se apresentar propostas claras para que a gente supere de vez o modelo neoliberal.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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