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Editorial – 05.10.2020

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As eleições presidenciais dos Estados Unidos, que já estavam absolutamente indefinidas há cerca de um mês do fim do processo, ganharam um componente de imprevisibilidade a mais na última sexta-feira, quando o presidente Donald Trump anunciou estar infectado pelo novo coronavírus.

 

As especulações a respeito do seu estado de saúde, aliás, foram muitas após o líder estadunidense ter sido transferido para o Centro Médico Militar Nacional Walter Reed, visto que Trump está no grupo de risco para a Covid-19 por conta da sua idade, 74 anos, e por ser considerado obeso.

 

Negacionista em relação à pandemia, o presidente dos Estados Unidos chegou a receber oxigênio durante o fim de semana, de acordo com os médicos que o acompanham, mas teve melhora graças ao tratamento, que não incluiu a hidroxicloroquina, algo que o presidente tanto defende, e deve ganhar alta já nesta segunda.

 

Fato é que os efeitos deste episódio para as eleições do país norte-americano não estão claros. A população pode se compadecer da situação do mandatário e isso catapultar as intenções de voto, algo como, mal comparando, o episódio da facada contra Jair Bolsonaro às vésperas do pleito presidencial brasileiro. Por outro lado, toda a negação de Trump a respeito da doença ao longo dos meses e as dificuldades que enfrentou no hospital podem fazer com que os eleitores percebam definitivamente que ele é um risco para o país, especialmente por conta de suas aparições públicas sem máscara durante a pandemia, favorecendo a campanha de Joe Biden. Veremos os efeitos nas próximas pesquisas.

 

Eu gostaria, também, no nosso espaço editorial, de fazer a leitura da coluna do jornalista Bernardo Mello Franco, publicada no último domingo no jornal O Globo, onde ele relata toda a irresponsabilidade do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles em suas ações na semana que passou. O título do texto é “A segunda morte de Chico Mendes”.

 

Na semana em que removeu a proteção a manguezais e restingas, o ministro Ricardo Salles avançou mais uma casa no desmonte dos órgãos ambientais. Na sexta-feira, ele criou um grupo de trabalho para estudar a fusão do Ibama com o Instituto Chico Mendes. O objetivo é extinguir o último, conhecido pela sigla ICMBio.

 

A comissão terá sete integrantes. Cinco deles são PMs nomeados no lugar de técnicos. Em portaria publicada no “Diário Oficial”, Salles disse que a mudança poderá trazer “potenciais sinergias e ganhos de eficiência administrativa”. Quem atua nos dois órgãos enxergou outra coisa. “É para não haver a aplicação da legislação ambiental”, resumiu a Ascema, associação nacional dos servidores do meio ambiente.

 

O ICMBio cuida de 334 unidades protegidas. Elas ocupam quase 10% do território nacional, da Amazônia ao Pampa. A criação do órgão liberou o Ibama para se concentrar nas tarefas de fiscalização e licenciamento.

 

Ao defender a separação das atividades, em 2007, a então ministra Marina Silva enfrentou protestos e greve. “Daqui a alguns anos, os servidores vão estar tão apegados ao Instituto Chico Mendes quanto são hoje ao Ibama”, ela previu. As reações à ofensiva do governo mostram que o tempo lhe deu razão.

 

O discurso tecnocrático de Salles esconde o verdadeiro problema: a asfixia deliberada dos órgãos ambientais. Sem concurso há oito anos, o Ibama sofre uma redução acelerada em seus quadros. Só no ano passado, um quarto dos funcionários se aposentou. O órgão terminará 2020 com mais cargos vagos do que ocupados.

 

A penúria tem consequências. Em 2019, o governo aplicou o menor número de multas ambientais em 16 anos, de acordo com levantamento do Observatório do Clima.

 

A destruição da governança ambiental é parte do projeto de Jair Bolsonaro. Na quinta-feira, ele anunciou, em tom de comemoração: “O Ibama não atrapalha mais”. “Antigamente o Ibama servia, com todo o respeito, para multar os caras, mais nada”, prosseguiu. Os “caras” no discurso do capitão são grileiros, madeireiros e ruralistas que o apoiam.

 

A tentativa de extinguir o ICMBio parece embutir outro desejo: eliminar o nome de Chico Mendes da estrutura do governo. Ao completar um mês no cargo, Salles chamou o seringueiro, símbolo da luta ambiental no país, de “irrelevante”. “Que diferença faz o Chico Mendes neste momento?”, desdenhou.

 

A comparação de biografias não favorece o ministro. Ele já foi condenado por improbidade administrativa, acusado de fraude para favorecer uma mineradora. Em abril, anunciou o plano de aproveitar a pandemia para “passar a boiada” na legislação ambiental.

 

Chico Mendes era um herói da floresta, reconhecido pela ONU como líder global na defesa do meio ambiente. Foi assassinado em 1988, a mando de um fazendeiro. Ao propor o fim do instituto batizado com seu nome, Salles ameaça matá-lo pela segunda vez”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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