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Editorial – 06.02.2020

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A coisa continua indo de mal a pior. Vejam bem, temos todos esses problemas não esclarecidos a respeito do assassinato, da execução da vereadora Marielle. Existem suspeitos inclusive de serem os executores desse terrível crime presos, pessoas muito próximas à família Bolsonaro, mas a polícia não esclarece nada, não avança em nenhum tipo de elucidação desse caso que ganhou contornos internacionais. Enquanto isso, a Polícia Federal, sob o comando de Moro, já procurou inocentar o senador Flávio Bolsonaro dessas acusações das chamadas rachadinhas, na época em que o atual senador era deputado aqui na Alerj, isso em meio a evidências que vêm sendo levantadas pelo Ministério Público Estadual, inclusive acusações de lavagem desse dinheiro desviado dos chamados assessores da Alerj.

 

Agora a Polícia Federal, frente às pesadas acusações ao secretário de Comunicação do Governo Federal, tomou providências no sentido de investigar o secretário. Possivelmente, esse é o meu temor, haverá um parecer inocentando o secretário, e por aí vai. Agora, ontem, o senhor Bolsonaro parece que ultrapassou todos os limites. Conforme já era especulado, ele formalizou a nomeação, através do Diário Oficial, de um missionário evangélico para o setor de proteção aos índios isolados da Funai.

 

Os antropólogos que trabalham na Funai estão absolutamente abismados, afinal de contas esse segmento dos índios isolados talvez seja aquele que mereça mais atenção de gente que conhece do riscado, e missionários evangélicos, em geral, tem como objetivo evangelizar os índios, algo que vai completamente ao contrário da cultura e de todas as expectativas que os antropólogos desenvolvem em relação à aproximação com esses segmentos de indígenas aqui no Brasil.

 

Mais do que isso, ontem, na comemoração dos 400 dias de governo Bolsonaro, o presidente da República assinou um projeto de lei que libera a atividade de mineração, de geração de energia elétrica e exploração de petróleo e gás em terras indígenas e, não satisfeito, apontando inclusive que possivelmente os ambientalistas seriam contrários a essa iniciativa ilegal, ele disse claramente que se dependesse da sua vontade, iria confiná-los na Amazônia, em uma clara agressão que mais uma vez o senhor Bolsonaro dirige a aqueles que têm preocupações com o meio ambiente, ou seja, as coisas vão indo cada vez piores. Isso tudo em meio à crise econômica que fez o Banco Central ontem adotar mais uma vez uma medida de redução da taxa Selic.

 

Nesse momento, temos uma taxa real de juros abaixo de 1%, isso é inédito na economia brasileira, mas é inédito também o nosso processo de recessão e estagnação. O Banco Central aponta que há uma continuidade do processo de recuperação económica que ninguém está observando e parece que o próprio Banco Central não observa porque ainda que aponte para riscos no panorama internacional e, ao mesmo tempo, afirma que há uma continuidade do processo de recuperação económica, o fato é que essa redução da taxa Selic mostra muito bem que o Banco Central está preocupado com a estagnação econômica que estamos passando.

 

Vivemos aa recessão desde 2015 e 2016 e não conseguimos ainda recuperar um mínimo de atividade econômica que poderia nos dar um pouco de esperanças, especialmente para a geração de empregos, que está cada vez mais fraca, mas o governo também nessa área, junto com a mídia dominante, procura dourar a pílula, justamente fazendo loas ao número cada vez maior de brasileiros que procuram se virar por conta própria, afinal de conta a questão da sobrevivência está na ordem do dia e se os empregos formais não respondem à necessidade dos brasileiros, é evidente que a turma parte para qualquer outra atividade.

 

Chamar isso de emprego ou de população ocupada, uma população que cada vez mais toma conta das calçadas, das ruas, buscando um meio de obter dinheiro a qualquer custo, não é evidentemente um caminho adequado e muito menos honesto para apontarmos qualquer tipo de tendência mais otimista para a economia brasileira.

 

Portanto, tanto no plano económico, como no plano social, as regressões são gigantescas e, por isso, mobilizamos aqui diariamente um conjunto de comentaristas, analistas, buscando justamente caminhos para que a gente supere essa quadra absolutamente trágica pela qual estamos atravessando.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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