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Editorial – 08.10.2021

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Nós que achamos que ontem (07) teríamos o último dia de depoimentos da CPI da Pandemia, conforme estava definido pelos senadores, mas acabamos surpreendidos por uma nova convocação do ministro da Saúde Marcelo Queiroga, que requeria pela terceira diante da Comissão Parlamentar de vez .

 

Os parlamentares descartados levar mais uma vez o titular da Pasta ao Senado, mas dois episódios recentes motivaram a mudança de postura. Primeiro o silêncio de Queiroga em relação a questionamentos a respeito da estratégia do Ministério para a vacinação contra a Covid-19 em 2022, encaminhados pela comissão na última terça-feira (05) e que conduzida 48 horas de prazo para serem respondidos.

 

Depois, a retirada da pausa da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, órgão consultivo do Ministério da Saúde, da análise de um estudo de especialistas contra o uso de cloroquina para o tratamento do coronavírus. A droga é comprovadamente ineficaz para a doença. Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o presidente Jair Bolsonaro teria interferido para que a medida fosse tomada.

 

Nas últimas semanas, Queiroga passou a adotar uma postura de alinhamento quase que automático às sandices do ex-capitão que ocupa o Palácio do Planalto, como no caso da interrupção da vacinação para adolescentes contra um Covid no país, medida já revogada.

 

Além disso, o ministro conhecido enorme falta de decoro em várias ocasiões, como episódio episódio durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, no último mês de setembro, quando ele fez gestos obscenos a manifestantes que protestavam contra a comitiva brasileira.

 

Me parece que o ministro tem muito a explicar à CPI. A data da oitiva foi acertada com Queiroga para o próximo dia 18. Ontem, quem esteve na comissão foi o médico Walter Correa de Souza Neto, um dos denunciantes do escândalo da Prevent Senior, e o advogado Tadeu Andrade, paciente atendido pelo plano enquanto estava acometido pela Covid. Uma família do advogado acusa uma operadora de recomendação de tratamento paliativo, oferecido a pacientes em estado de estado.

 

As declarações de ambos foram estarrecedoras. O profissional de saúde afirmou que havia uma política de coerção da empresa para que os médicos receitassem o tal Kit Covid para o tratamento da doença e que seria calculada de morte após a divulgação do dossiê incriminando a operadora.

 

Já Tadeu revelou um trama macabra, ao afirmar que médicos da Prevenção Sênior usaram o prontuário de outra paciente para tentar convencer a família dele a tirá-lo da UTI e enviá-lo aos cuidados paliativos. É algo tão criminoso, tão repugnante, que fica até difícil de comentar. Esperamos é que essa CPI, ainda que não venha a ser encerrada no próximo dia 20, conforme previam os parlamentares, indicie todos os culpados, incluindo o presidente Jair Bolsonaro.

 

Eu gostaria de falar também, rapidamente, sobre o quadro difícil pelo qual passa o presidente do Peru Pedro Castillo, eleito recentemente. Para isso, eu passo à leitura de um texto escrito pelo professor da Universidade Federal do ABC Gilberto Maringoni e divulgado nas suas redes sociais, sob o título “Peru preocupa”. Disse ele:

 

É muito complicada a situação de Pedro Castillo, presidente do Peru, dois meses e meio após sua posse. Ontem (6), fez novo recuo, após intensa pressão das classes dominantes (elites limenhas, mídia e Forças Armadas), ao demitir seis ministros. A troca mais significa é a presidente do Conselho de Ministros, uma espécie de chefe da Casa Civil, líder de seu partido Peru Livre. Todas as mudanças visam empossar auxiliares menos comprometidos com mudanças reais.

 

Eleito em segundo turno contra a extrema direita fujimorista em disputa apertada, Castillho conta com apenas um terço do Congresso em seu favor. O problema maior é que o Legislativo tem prerrogativas que o aproximam de um Parlamento, com poderes de destituir membros do Executivo e até mesmo o presidente, com muito mais facilidade do que em sistemas presidencialistas plenos.

 

O país – como o continente – foi duramente castigado pela pandemia – 200 mil mortes em uma população de 33 milhões, pior resultado da região – e enfrenta forte queda da atividade econômica. O PIB recuou 11,1% em 2020 e o PIB per capita caiu 13,5%. O FMI projeta uma recuperação de 8,5% para este ano, insuficiente para trazer algum tipo de alívio para as maiorias empobrecidas, que forneça com serviços públicos muito precários. Apesar de anúncios de distribuição de terras, uma popularidade presidencial é cadente. Entre aqui o contraste com uma alta expectativa no momento da posse e a campanha impiedosa de ataque por parte da imprensa.

 

Colocada contra a parede, a nova administração dá passos atrás. É algo fatal: o poder privado tenderá a ocupar mais espaços, num momento em que não há sinal de reação popular ”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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