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Editorial – 09.09.2020

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A bancada da Bíblia no Congresso continua fazendo das suas. Não bastassem as pautas ultraconservadoras defendidas especialmente por aqueles que têm ligações com as igrejas neopentecostais na Câmara e no Senado, os parlamentares conseguiram incluir, em forma de emenda, em uma proposta que nada tinha a ver com o tema o perdão das dívidas tributárias de igrejas, isentando-as de pagamento de contribuições previdenciárias.

 

O texto original do projeto determina que a União deve usar o dinheiro economizado em negociações de precatórios no combate à pandemia. A emenda é de autoria do deputado David Soares (DEM-SP), filho de RR Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus e aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro.

 

O presidente da República, aliás, tem até a próxima sexta para vetar ou sancionar o projeto. A grande questão é que um parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão ligado ao Ministério da Economia, recomendou ao governo o veto à proposta. Resta saber se o ex-capitão do Exército vai atender aos anseios de Paulo Guedes ou dos mercadores da fé.

 

Um episódio que nos provocou estranheza, não pelo personagem envolvido, mas pelo tempo em que ele ocorreu, foi essa denúncia aceita pela Justiça Eleitoral, a pedido do Ministério Público Eleitoral, contra o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (DEM), onde ele é acusado de receber R$ 10,8 milhões em vantagens indevidas via Caixa 2 da construtora Odebrecht.

 

O apartamento de Eduardo Paes foi alvo de um mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Flávio Itabaiana. Além de Paes, outros quatro investigados se tornaram réus por crimes de corrupção, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. O que nos intriga é que essa denúncia é aceita a cerca de dois meses das eleições municipais, onde o ex-prefeito é candidato a retornar ao cargo.

 

O político do Democratas é o principal rival de Marcelo Crivella, aliado de Jair Bolsonaro, à reeleição. Esse tipo de operação às vésperas de um processo eleitoral sempre suscita uma série de dúvidas a respeito dos interesses que estão por trás. O próprio Eduardo Paes disse se tratar de “tentativa clara interferência, da mesma forma que ocorreu em 2018, nas eleições para governador”. Que o Paes muito provavelmente está mergulhado em toda essa sujeira que foram os últimos governos do Rio de Janeiro, nos parece claro, agora precisamos ficar atentos aos desdobramentos deste episódio.

 

E o procurador Deltan Dallagnol, que deixou a Lava Jato na última semana, foi punido pelo Conselho Nacional do Ministério Público com censura por ter publicado mensagens nas redes sociais contra Renan Calheiros, quando este concorria à Presidência do Senado, no ano passado. O julgamento se deu após o ministro do Supremo Gilmar Mendes derrubar uma decisão do seu colega de Corte Celso de Mello que havia paralisado a análise.

 

Vale registrar que Mendes teve uma longa conversa recentemente com o procurador-geral Augusto Aras, outro aliado do ex-capitão do Exército, a respeito desse processo, pouco antes de ele autorizar a retomada da análise da ação no CNMP. Mais um sinal de que o governo que se elegeu às custas do lavajatismo hoje manobra pelo fim da dita operação anticorrupção.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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