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Editorial – 09.10.2020

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A indicação do presidente Jair Bolsonaro do nome do ministro da Secretaria-Geral da Presidência Jorge Oliveira para o Tribunal de Contas da União, que deve se dar em dezembro, atende a dois anseios do ex-capitão do Exército. Um deles é ter um nome de sua mais alta confiança no órgão que fiscaliza os gastos do Governo Federal, algo que vem bem a calhar para quem, a todo momento, flerta com o rompimento do teto de gastos imposto pela Emenda Constitucional 95.

 

O outro é ter apenas figuras oriundas das Forças Armadas despachando dos Ministérios palacianos, já que o favorito para substituir Jorge Oliveira é o almirante Flavio Rocha, atualmente na Secretaria de Assuntos Estratégicos, conforme apurou a jornalista Andréia Sadi, do grupo Globo. Atualmente ocupam pastas no Palácio do Planalto os generais Braga Netto, na Casa Civil, Augusto Heleno, no Gabinete de Segurança Institucional, e Luiz Eduardo Ramos, na Secretaria de Governo.

 

Ainda que Jorge Oliveira seja major da reserva da Polícia Militar, ele destoa da turma da boina verde-oliva. Desta forma, o presidente entrega mais um Ministério às Forças Armadas, prestigia aqueles que se aproveitaram do bolsonarismo para retornar ao poder no país e consolida a gestão com mais militares da história. Nem mesmo durante a ditadura o Brasil teve tantos oficiais em cargos de primeiro e segunda escalão.

 

Mas eu gostaria também de fazer a leitura no nosso espaço editorial da coluna do jornalista Bernardo Mello Franco publicada ontem no jornal O Globo, onde ele aborda com precisão as relações do presidente da República com o poder em Brasília. O título do texto é “O acordão do capitão”:

 

Num domingo de abril, o presidente Jair Bolsonaro foi à porta do Quartel-General do Exército, subiu na caçamba de uma caminhonete e estimulou seguidores que bradavam por “intervenção militar” e AI-5. “Nós não queremos negociar nada! Nós queremos ação pelo Brasil!”, vociferou.

 

Menos de seis meses depois, Bolsonaro toma café com Rodrigo Maia, almoça com o centrão e janta com Gilmar Mendes. No último domingo, ele foi à casa de Dias Toffoli comer pizza e assistir a um jogo do Palmeiras. A imagem dos dois abraçados, como amigos que se reencontram para torcer pelo mesmo time, é um retrato dos novos tempos em Brasília.

 

O extremista que prometia romper com o establishment passou a dançar conforme a velha música. A indicação de Kassio Marques ao Supremo faz parte da metamorfose. O presidente consultou Gilmar e Toffoli, inimigos jurados da Lava-Jato, antes de oficializar a escolha do futuro ministro.

 

Eles não são os únicos a festejar o indicado. “Para além das diferenças que nós temos, ele (Bolsonaro) pode deixar um grande legado para o Brasil, que é o desmonte desse estado policialesco que tomou conta do nosso país”, celebrou o senador Renan Calheiros. À CNN Brasil, ele listou outras medidas que agradaram à classe política: o desmantelamento do Coaf, a demissão de Sergio Moro, a nomeação de Augusto Aras.

 

Os elogios de Renan produziram um curto-circuito no bolsonarismo raiz. Chamado de traidor, o capitão tenta contornar as críticas. “Eu não quero acabar com a Lava Jato. Eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo”, gracejou ontem, no Planalto.

 

É ilusão pensar que o exercício do poder moderou Bolsonaro. Estamos diante de um acordão, que o uniu a políticos que demonizava. A turma quer blindagem e sossego, mercadorias que Gilmar sempre soube entregar. A fantasia da conciliação pode ser rasgada a qualquer momento: basta que o capitão se sinta seguro para chutar os aliados de conveniência. Enquanto essa hora não chega, todos celebram a paz com brindes de tubaína”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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