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Editorial – 11.01.2021

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A situação lá em Brasília está ficando absolutamente insustentável para o Jair Bolsonaro. Aquele embate do chefe do Executivo com o presidente da Câmara Rodrigo Maia parece ter alcançado o auge da tensão neste final de semana, quando o deputado, pelas redes sociais, chamou o ex-capitão de covarde e disse que ele é o responsável pelo país ter ultrapassado a marca de 200 mil mortes pela Covid-19.

 

Ao jornal Folha de S. Paulo, Maia foi além, ao afirmar que “está na hora de todo mundo colocar de forma clara essa indignação” e que “não podemos mais aceitar um ministro que não entende de saúde e um presidente irresponsável que nega o vírus”. Ou seja, azedou de vez a relação entre os dois, especialmente depois das críticas de Bolsonaro às articulações entre o presidente da Câmara e o Partido dos Trabalhadores em torno da candidatura de Baleia Rossi para a sucessão na Casa Legislativa.

 

Fato é que Rodrigo Maia tem até o dia 1º de fevereiro para aceitar um dos 56 pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro que estão em sua gaveta no gabinete da Presidência da Câmara, já que, nesta data, os deputados retornarão do recesso e escolherão novos líderes para o Congresso. Maia está com a faca e o queijo na mão. Resta saber se ele vai querer ficar na história apenas como um político golpista, que ajudou a derrubar Dilma Rousseff, ou se cumprirá seu papel constitucional de dar prosseguimento a uma das inúmeras denúncias contra o pior presidente da história do país. Eu gostaria de aproveitar esse espaço para fazer a leitura de mais um belíssimo artigo da jornalista Cristina Serra, publicado na última sexta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, que leva o título de “O instinto assassino de Bolsonaro”.

 

Bolsonaro tem duas preocupações na vida: salvar a pele dos filhos suspeitos de cometer crimes e preparar as bases para um golpe na eleição de 2022. Como admitiu em cínica declaração, pelo país ele nada consegue fazer. Aí está uma verdade. Não consegue porque não é capaz. Seu governo será sempre associado a um recorde trágico: 200 mil brasileiros mortos, em menos de dez meses, pelo vírus que ele ajudou a espalhar com seus arrotos de ignorância.

 

Péssimo militar e parlamentar medíocre, Bolsonaro levou seu despreparo para o Planalto e se cercou de incompetentes como ele. O pascácio da Saúde desconhece a lei da oferta e da procura e não consegue marcar a data da campanha de vacinação. O da Economia não sabe o que pôr no lugar do auxílio emergencial. O vírus mata, a fome também.

 

A incapacidade do presidente está longe de ser nosso único tormento. Para quem já respondeu a processo por terrorismo, as cenas de selvageria no Capitólio, em Washington, devem ter provocado êxtase. Certamente excitado com o que viu, Bolsonaro vai radicalizar sua campanha de sabotagem à democracia, à urna e ao voto enquanto tonifica seus esquadrões da morte, pelotões de jagunços e hordas de milicianos por dentro do aparelho de Estado, com liberação de armas, promoções, verbas, cargos e salários.

 

Só numa sociedade muito adoecida o presidente pode atentar à luz do dia contra a democracia e ficar tudo na mesma. O Brasil está morrendo de falência múltipla de instituições. Ao confessar seu fracasso, Bolsonaro deveria renunciar. Mas não tem hombridade para tal.

Restaria o impeachment. Mas ele sabe que os pedidos continuarão juntando mofo enquanto puder contar com a cumplicidade de gente graúda que enriquece ainda mais com a crise e que prefere deixar tudo como está. Assim, Bolsonaro pode seguir sem ser incomodado, contando com mais dois anos para exercitar seu instinto assassino. Não resta dúvida de que nisso está sendo muito bem-sucedido”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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