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Editorial – 11.06.2019

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A revelação das conversas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol provocaram um verdadeiro terremoto em Brasília no dia de ontem, mas principalmente é através da mídia dominante que devemos talvez avaliar os possíveis desdobramentos desse caso. O jornal Folha de S. Paulo, por exemplo, divulga que o governo Bolsonaro se blinda e adota cautela com Moro, o jornal O Globo chama atenção que conversas de Moro com procuradores e ação de hacker serão investigadas.

 

Essa é uma questão importante, tanto Sérgio Moro, quanto o procurador Deltan Dallagnol, assim como outros representantes do Ministério Público ligados à turma de Curitiba e setores da própria imprensa têm explorado muito a chamada ilegalidade do vazamento dessas informações. Nesse sentido, algo se aproxima daquele escandaloso caso das privatizações quando o senhor Luís Carlos Mendonça de Barros, à época ministro das Comunicações, foi flagrado em conversa telefônica com o presidente do BNDES André Lara Resende, todos tramando o favorecimento a Daniel Dantas e seu grupo Opportunity no processo que se abriria a respeito da privatização do parque de telecomunicações no Brasil.

 

Agora parece que o mesmo vem ocorrendo. Há toda uma tentativa de procurar desmerecer ou inviabilizar qualquer tipo de acusação a Sérgio Moro ou Deltan Dallagnol por conta justamente do vazamento ilegal dessas conversas. A grande questão que se coloca é que esse vazamento é fruto de um trabalho do The Intercept Brasil procurando viabilizar através do chamado jornalismo investigativo aquilo que a opinião pública tem o direito de saber.

 

Aliás, esse foi o argumento central que o próprio Sérgio Moro se utilizou para justificar ou explicar aquela divulgação de uma ligação telefônica da presidente Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula, uma divulgação completamente ilegal e que partiu justamente do próprio Sérgio Moro. Parece que agora o atual ministro da Justiça muda sua concepção a respeito da importância da opinião pública conhecer os detalhes da atuação de determinadas autoridades.

 

A grande questão é que haverá, evidentemente, desdobramentos. Nós não sabemos quais serão eles, mas é importante que cada vez mais a sociedade brasileira e os trabalhadores fiquem conscientes de como as questões relevantes à República são tratadas a rigor dentro dos poderes constituídos, esses poderes que têm viabilizado essa situação que caracterizamos no Faixa Livre há muito tempo como de excepcionalidade institucional, ou seja, são as instituições sendo utilizadas claramente para subverter a própria ordem republicana.

 

O que assistimos durante a campanha eleitoral de 2018, por exemplo, é uma prova cabal disso e onde o Supremo Tribunal Federal, o Tribunal Superior Eleitoral e outras autoridades simplesmente se colocaram de forma, no mínimo, omissa frente a um conjunto de ilegalidades, porque o conjunto da obra apontou para uma intervenção política muito séria no próprio andamento das eleições, beneficiando claramente um dos candidatos, no caso o senhor Jair Bolsonaro que, curiosamente, é hoje o presidente da República, tendo Sérgio Moro como ministro da Justiça e procurando implementar um programa absolutamente antinacional, antipopular para o conjunto do país, com direito a bater continência a bandeira estrangeira e o ministro da Economia oferecendo negócios nos Estados Unidos para os especuladores daquele país.

 

Portanto, mais do que nunca, chegou a hora de se passar a limpo determinadas questões que vêm maculando a vida política do país e, principalmente, comprometendo nosso futuro. Nós apostamos que especialmente a pressão popular, na próxima sexta-feira teremos a greve geral convocada pelas centrais sindicais, seja desta feita o suficiente para levarmos às últimas consequências uma investigação que poderá expor e desmoralizar um conjunto de atitudes que não comprometem a operação Lava Jato como um todo, mas comprometem sim Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e outros procuradores do Ministério Público que claramente agiram no sentido de influenciar o processo eleitoral de 2018.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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