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Editorial – 11.11.2020

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Enquanto um estado do país está quase que integralmente sem fornecimento de energia elétrica, o presidente Jair Bolsonaro segue em sua cruzada ideológica contra a ciência e seus desafetos políticos. Depois do anúncio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a respeito da suspensão dos testes com a vacina Coronavac, desenvolvida em parceria entre a farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan devido a um evento adverso grave ocorrido com um dos voluntários, que foi explicado ao longo do dia de ontem, o chefe do Executivo foi às redes sociais comemorar o anúncio da agência.

 

O ex-capitão do Exército, em resposta a um de seus seguidores, escreveu a seguinte mensagem: “Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”.

 

Ou seja, o presidente da República deixou mais uma vez muito clara a sua intenção em politizar o debate da vacina. Vale lembrar que Bolsonaro chegou a dizer que o Brasil não compraria o imunizante produzido pela empresa chinesa, ainda que ele fosse aprovado pela Anvisa. Além da disputa ideológica com o país asiático, caracterizado pelo chefe do Executivo como comunista, e eu tento entender até agora onde é que o Bolsonaro vê comunismo na China, o ex-capitão do Exército rivaliza com o governador de São Paulo João Doria em uma prévia da sucessão presidencial em 2022.

 

Os representantes do Instituto Butantan e da Sinovac mostraram surpresa com a decisão da Anvisa, já que não haveria qualquer relação entre a vacina e o tal evento adverso grave que levou à medida da agência. Havia sigilo a respeito do que teria ocorrido com o voluntário dos testes, que foi posteriormente descoberto pela imprensa. Seria um homem, de 33 anos, que teria cometido suicídio.

 

É evidentemente uma notícia muito triste, mas que nada tem a ver com os efeitos da Coronavac, isso não coloca a vacina sob suspeita. No mês passado, os testes com o imunizante já haviam sido interrompidos temporariamente no país pelo óbito de outro voluntário, mas depois foi confirmado que ele havia tomado placebo, que é uma substância inativa. É assustador perceber que o presidente da República, que deveria zelar pela saúde dos brasileiros, apoiando os testes e a descoberta rápida de uma vacina, politiza essa discussão e dá de ombros para as mais de 162 mil mortes no país por conta do novo coronavírus.

 

Antes de encerrar este editorial, eu gostaria de fazer menção a outra triste notícia que nós recebemos no último domingo, que foi a morte do professor e médico Hésio Cordeiro, aos 78 anos, uma das maiores referências na saúde pública do nosso país. Hésio denunciou a privatização da saúde durante o governo militar e foi um dos artífices para a criação do Sistema Único de Saúde.

 

Fica aqui a homenagem do Faixa Livre a este que foi um dos que lutaram pela saúde como um bem social para toda a população brasileira. Em tempos onde temos de reafirmar o óbvio, a trajetória de Hésio fica como exemplo a todas as próximas gerações de médicos do nosso país.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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