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Editorial – 12.06.2019

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O presidente Jair Bolsonaro esteve ontem com o senhor Sérgio Moro, aliás, várias vezes durante o dia, mas de acordo com o que divulgamos, uma reunião logo na manhã entre o presidente e o seu ministro da Justiça, na verdade nada resultou porque Bolsonaro manteve-se absolutamente em silêncio pelo terceiro dia seguido depois do vazamento desses diálogos que comprometem evidentemente toda e qualquer ideia de lisura nesse julgamento em que Moro esteve à frente e que levou a condenação de Lula, mais do que isso, à própria inviabilização da candidatura do ex-presidente à Presidência da República nas eleições do ano passado.

 

Por isso, nós podemos dizer que apesar da decisão que surgiu ontem por parte do Sérgio Moro em ir espontaneamente à Comissão de Constituição e Justiça do Senado na próxima quarta-feira para prestar esclarecimentos, a grande questão que se coloca é que há muitos esclarecimentos a serem dados pelo Moro, pelo Dallagnol, por toda equipe da chamada força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, mas muito mais do que isso.

 

Ontem na entrevista que fizemos com o Glenn Greenwald ficou claro que existe um volume significativo de informações que ainda será divulgado e essas informações poderão evidentemente envolver não somente a chamada força-tarefa de Curitiba, mas também a participação de ministros de instâncias superiores do Poder Judiciário, principalmente do próprio Supremo e do STJ, onde de alguma maneira hoje o destino de Lula está depositado.

 

Dependerá de decisões nessa altura do campeonato do STJ ou do STF para que tenhamos qualquer novidade em relação ao cumprimento da pena de Lula, mas o grande problema que se coloca é como de fato será possível explicar um conjunto de situações que foram geradas nesses últimos tempos e estiveram em torno dessa aceleração do processo que acabou por condenar Lula.

 

Acho muito difícil tudo isso ter se dado sem um concurso muito bem articulado dessas instâncias superiores da Justiça, e é por isso que questionamos ontem o Glenn a respeito dessa possibilidade das gravações revelarem muito mais do que aquilo que já foi revelado, e envolvendo não somente as instâncias superiores da Justiça, mas também a TV Globo, que cumpriu um papel essencial na difusão das informações de interesse de Sérgio Moro e também da equipe de procuradores da Lava Jato.

 

Além disso, temos os problemas relativos à forma como essas chamadas delações premiadas foram construídas por determinados escritório de advocacia. Há muitas suspeitas a respeito das articulações tanto de Moro como também dos procuradores de Curitiba com determinados escritórios de advocacia que ganharam rios de dinheiro com esses processos, além das facilidades que delatores tiveram, gente ligada às grandes construtoras que acabaram fazendo o jogo dos procuradores, entregando os políticos e de alguma maneira eles, que eram os corruptores, tendo certo alívio no chamado rigor da Justiça.

 

Por isso tem muita coisa ainda para ser esclarecida e não será através do silêncio que Bolsonaro, principalmente, poderá deixar de ter comprometimento com toda essa situação porque, convenhamos, o grande beneficiário dessa armação do Poder Judiciário, especialmente com relação a esse processo que envolve Lula e sua condenação por conta do triplex do Guarujá, foi justamente Jair Bolsonaro, um candidato que no início de sua peregrinação na campanha à Presidência da República, ninguém levava fé e ele acabou sendo o vencedor em uma eleição onde ficou claro que existiu um processo de desmoralização dos nossos ditos poderes constituídos, e onde o Executivo e o Legislativo estão na berlinda, que são os poderes que se submetem às eleições.

 

A grande pergunta que fica no ar é como estaremos em relação ao Poder Judiciário, o mais obscuro de todos eles e que teve um papel fundamental nessa situação que estamos vivendo nesse momento, com um governo que cada vez mais se desmoraliza aos olhos do mundo e onde as fraturas para dentro do nosso país vão ficando cada vez mais claras, ou seja, o prejuízo foi gigantesco com a eleição desse senhor Bolsonaro.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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