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Editorial – 12.11.2020

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Os absurdos proferidos pelo presidente Jair Bolsonaro, na última terça-feira, sugerindo um conflito armado com os Estados Unidos se Joe Biden impuser sanções contra o Brasil caso o país não preserve o meio ambiente entra para a extensa lista de insanidades do ex-capitão do Exército. O problema é que agora ele está mexendo em vespeiro e, pior, jogando a batata quente nas mãos das Forças Armadas.

 

O vice-presidente general Hamilton Mourão minimizou a declaração do chefe do Executivo, como não poderia deixar de ser, dizendo que Bolsonaro teria se utilizado de uma ‘figura de linguagem’ ao se referir à relação com o país norte-americano. O militar atua como bombeiro das sandices bolsonaristas desde o início do mandato, essa é que é a verdade.

 

A grande questão é que os oficiais de Exército, Marinha e Aeronáutica, que já vinham sendo atacados pela ala mais ideológica do governo há algum tempo, agora são expostos de maneira direta pelo presidente da República. Vamos ver como eles reagirão a mais essa declaração muito acima do tom do político sem partido.

 

Eu gostaria de aproveitar nosso espaço editorial também para fazer a leitura de um texto do economista José Luís Fevereiro, onde ele faz um contraponto à matéria do jornalista Glenn Greenwald, que denuncia o presidente eleito dos Estados Unidos Joe Biden e aponta para o que está em jogo nessas eleições estadunidenses. O título do artigo é “As eleições americanas e os arautos do imobilismo”:

 

A polêmica que se abriu com a entrevista em que Gleen se atribui a missão de informar a esquerda brasileira quem é Joe Biden tem contornos interessantes. Ele deve estar se referindo a uma esquerda mítica composta de desinformados e que só existe na cabeça dele. Talvez faça isso para justificar a campanha que fez contra Biden nos 20 dias finais da campanha, com assento frequente na bancada da Fox News.

 

Biden, como todos sabemos, é um homem do establishment democrata. Não vi até agora ninguém de carne e osso na esquerda brasileira com avaliação diferente dessa.

 

Mas eu faço parte da parcela da esquerda que, sem desprezar o papel dos personagens na história, valoriza o cenário em volta. Biden se elegeu graças a uma mobilização sem precedentes da esquerda americana que congregou a juventude urbana, os negros e as mulheres. São os que estão nas ruas comemorando a vitória.

 

Biden e o establishment democrata sabem que sem essa mobilização não teriam vencido. A correlação de forças mudou a quente nas ruas. Obama eleito em 2008 não entregou o que prometeu em termos de redução da desigualdade. Essa é a razão da força de Bernie Sanders nas primárias de 2016. E também explica a derrota de Hilary.

 

Agora, em 2020, e ao contrário da versão pasteurizada apresentada pela mídia brasileira sobre a vitória de Biden, foi a mobilização da esquerda puxada por Bernie, Stacey Abraams e Alessandra Ocasio Cortez que viabilizou a derrota de Trump.

 

Aqueles que acham que no essencial não faz diferença Biden ou Trump, e que subscrevem a linha do Gleen, na verdade estão tratando a esquerda norte-americana, e os milhões que se mobilizaram por mudanças, como idiotas. Estão olhando a história a partir dos grandes personagens e não das movimentações sociais.

 

Ao agirem assim se tornam arautos do imobilismo”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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