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Editorial – 13.03.2020

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O presidente Bolsonaro, dois dias depois de ter afirmado nos Estados Unidos que essa história da epidemia do coronavírus tinha muito de fantasia, ontem apareceu em rede de rádio e TV e comunicou claramente que a situação é, de fato, grave, tanto é que, alegando risco à saúde das pessoas, ele recomendou que repensassem a manifestação que, vamos ser claros, ele mesmo e seus assessores do Palácio do Planalto convocaram e estimularam para o próximo domingo, uma manifestação que teria claramente o sentido de pressionar o Congresso, o Supremo Tribunal Federal.

 

Eu, pessoalmente, acho que o problema do Bolsonaro não é propriamente esse jogo de braço com o Congresso, é em torno do que ele briga, essa é a grande questão. É evidente que o Congresso e o Supremo não merecem confiança, até porque se não fossem essas duas instituições, e eu repito, junto com o alto comando do Exército sob o comando de Eduardo Villas Bôas, o próprio Bolsonaro não teria se tornado presidente da República. A grande questão referente a essa manifestação é o seu conteúdo, o seu objetivo, que é acelerar um conjunto de medidas constitucionais, económicas e sociais que farão o Brasil regredir caso sejam levadas à frente, de acordo com interesses inclusive desses que ocupam hoje o Palácio do Planalto.

 

A verdade é que o Brasil está submetido a um ataque muito forte e não é do coronavírus, é justamente desses interesses subjacentes a essas propostas que, em nome da austeridade fiscal, pretendem destruir instrumentos fundamentais de qualquer país civilizado. Eu me refiro principalmente à capacidade do Brasil se pensar soberano, aos ataques que Bolsonaro faz constantemente às universidades e, principalmente, ao professorado, ao ataque que Bolsonaro e seus aliados fazem permanentemente contra a cultura nacional e os nossos artistas, a essas medidas que, no campo econômico, retiram capacidade do Estado em prover a sociedade de serviços públicos adequado.

 

Por exemplo, essa emenda constitucional nº 95, a chamada emenda do teto de gastos, que é uma necessidade premente ser derrubada, afinal de contas precisamos, na verdade, ainda mais em meio a essa epidemia do coronavírus, ter um Sistema Único de Saúde absolutamente apto para responder aos desafios que são colocados no campo da saúde pública para toda nossa população, mas para isso é necessário termos governo, que se dirija aos interesses populares, não aos interesses dos Estados Unidos como cada vez fica mais claro nas ações do governo Bolsonaro.

 

Por isso, a situação brasileira é muito grave, mas, ironia da história, o próprio presidente, que ironizou essa epidemia do coronavírus, possivelmente pode estar contaminado porque já foi confirmada a contaminação do seu secretário de Comunicação, que essa semana teve aquela iniciativa de convocar a manifestação de domingo com direito a bandeirinha americana. Portanto, estamos sob ataque de um programa absolutamente irresponsável conduzido pelo Paulo Guedes e pelos seus economistas liberais e apoiado, em grande parte, pelo Congresso, pelo Supremo e por boa parte da chamada elite econômica brasileira.

 

Esse é o principal risco que a sociedade brasileira corre hoje. O coronavírus tem sua dimensão dramática, mas irá passar, entretanto os efeitos dessas políticas absolutamente irresponsáveis que fragilizam o Estado brasileiro, toda a capacidade de reagir inclusive frente às crises internacionais, essa sim é a principal ameaça que paira sobre a nação brasileira.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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