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Editorial – 13.09.2019

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Em meio a esse cerco que o governo Bolsonaro vai montando em torno de órgãos importantíssimos como a Receita Federal, a Polícia Federal, como o Coaf, o Ibama, estamos assistindo, na verdade, a degradação das condições de luta política em um ambiente de liberdade. Essa que é a verdade, porque em meio a toda essa ofensiva reacionária contra instituições dessa natureza, temos também um fortalecimento inédito das milícias no nosso país, e esse fortalecimento, nesse momento, é reforçado inclusive pelas posições do próprio presidente da República e de seus familiares.

 

É uma verdadeira vergonha, e, nesse sentido, chamou muito a atenção ontem o posicionamento da procuradora Raquel Dodge. Ela está deixando a Procuradoria-Geral da República, o cargo máximo do Ministério Público, e na sua última participação no Supremo Tribunal Federal representando o Ministério Público, ela alertou para os sinais de pressão sobre a democracia. O problema é que esses sinais de pressão sobre a democracia vêm de longe.

 

Houve uma total irregularidade, por exemplo, em todo processo do golpe parlamentar que afastou Dilma Rousseff. Não havia, na verdade, nenhum crime de responsabilidade, muito menos pedaladas fiscais que justificassem uma medida tão grave como o afastamento de uma presidente que, apesar de seus erros, havia sido eleito pela população brasileira em uma eleição, aliás, bastante disputada.

 

Depois disso, assistimos a uma série de medidas que foram tomadas pelo Supremo Tribunal Federal e sem questionamento do Ministério Público que também podem ser questionadas, mas, acima de tudo, assistimos no ano passado uma eleição presidencial absolutamente irregular, onde o candidato vitorioso cansou de cometer crimes e ilicitudes, bem como a sua campanha, e tudo isso passou absolutamente em branco pela diligência da Procuradora-Geral da República. É por isso que aqui vou repetir as palavras que hoje foram escritas pelo jornalista Bernardo Mello Franco em sua coluna no jornal O Globo. Ele escreveu:

 

“Enquanto acreditou que poderia ser reconduzida, Dodge flertou abertamente com o grupo que está no poder. Quando Jair Bolsonaro ameaçou “fuzilar a petralhada”, ainda na campanha eleitoral, ela se recusou a denunciá-lo por injúria. Alegou que a incitação à violência não continha “referência a pessoas”.

 

Em janeiro, a procuradora festejou o início de um mandato de mudanças, que renovaria a esperança dos brasileiros. Tudo entre aspas. Nos meses seguintes, segurou investigações que envolviam o presidente e virou figurinha fácil em solenidades no Planalto. Ontem Raquel Dodge afirmou que a democracia depende do sistema de freios e contrapesos, faltou dizer que ajudou a miná-lo em benefício próprio. Na luta pela recondução, ela legitimou a escolha de um procurador-geral fora da lista tríplice e barganhou apoio com políticos que deveria investigar”.

 

Com essas palavras, o jornalista também resume muito bem essa conduta final de Raquel Dodge, onde ela procurou se manter no cargo e bajulando um presidente que afronta a Constituição. Esse talvez tenha sido o maior sinal de pressão sobre a democracia, mas que infelizmente passou em branco pelos olhos da Procuradora-Geral da República.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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