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Editorial – 13.09.2021

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Tivemos, no último sábado, a passagem do 11 de setembro, onde a maioria absoluta das pessoas lamenta os atentados terroristas aos Estados Unidos, que derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center, matando perto de três mil pessoas, e foram o ponto de partida para a tal guerra ao terror estabelecida pelos estadunidenses, que, 20 anos depois, multiplicou o número de mortos por 300, de acordo com estimativas da Universidade Brown, e provocou o caos absoluto no Oriente Médio, região do mundo já tão afetada por guerras com as mais diferentes motivações, especialmente as religiosas.

 

Mas eu quero aproveitar para lembrar um outro evento que se deu nesse mesmo dia, só que no ano de 1973, quando militares chilenos sob o comando do general Augusto Pinochet, como sempre com apoio financeiro e logístico dos Estados Unidos, depuseram e assassinaram o presidente Salvador Allende, estabelecendo uma ditadura no Chile por quase 17 anos.

 

Essa é apenas uma rápida lembrança para todos aqueles que fazem questão de exaltar os estadunidenses, os colocando como vítimas, quando todos nós sabemos que eles são os maiores vilões desse imperialismo que leva à miséria e à dominação global, subjugando e exterminando àqueles que se contrapõem à lógica capitalista. É preciso, mais do que nunca, exaltar a memória de Allende e de todos aqueles que morreram ao lutar por igualdade e contra um sistema que aniquila os mais pobres.

 

Eu queria falar um pouco também sobre aquela carta do presidente Jair Bolsonaro, escrita pelo ex-presidente Michel Temer, em uma tentativa de acalmar os ânimos em relação aos atos de 7 de setembro. O jornalista Ascânio Seleme escreveu um bom artigo no sábado (11), publicado pelo jornal O Globo, repercutindo esse tema e que eu faço questão de ler um trecho aqui para vocês. O título do texto é “Desculpas não inocentam”:

 

A carta de desculpas de Jair Bolsonaro ressalta o enorme esforço feito pelos que querem tão somente que a vida política volte ao normal. O objetivo é claro e até digno. Ninguém suporta mais ouvir os berros idiotas do presidente. Sua retórica antidemocrática passou do limite. Por isso, qualquer movimento que tente serenar as coisas tem que ser visto positivamente. Mas o correto a se fazer, a solução definitiva, será processar, julgar e afastar Bolsonaro das suas funções, além de cassar por oito anos os seus direitos políticos. Pedido de desculpas não inocenta criminoso. E Bolsonaro cometeu mais de um crime no dia 7 de setembro.

 

Perdoá-lo seria como soltar o curandeiro João de Deus se ele pedisse desculpas às dezenas de mulheres que violentou. O pedido de perdão feito na carta pacifica os espíritos, mas não apaga os crimes de responsabilidade perpetrados pelo presidente. Eles são muitos, se multiplicam a cada fala de Bolsonaro e chegaram ao ponto sem retorno nos discursos que proferiu nas manifestações da Esplanada dos Ministérios e da Avenida Paulista. Desculpar a incitação que fez a milhares de pessoas contra o Supremo apenas dará a ele a chance de voltar logo adiante ao ataque.

 

É tolice imaginar que Bolsonaro parou, que não vai recrudescer. Na primeira live pediu “uns dois dias” aos fanáticos que o seguem e voltou a atacar a urna eletrônica. O presidente não sabe fazer outra coisa. Ele não resistirá. De outro modo, como vai continuar manipulando seus zé trovões? Como vai olhar nos olhos dos três zerinhos? Aliás, um dos objetivos da ira presidencial contra Alexandre de Moraes era exatamente por medo de ver preso um dos seus filhos. E como se explicará aos weintraubs, damares e olavos da sua entourage? Não, caro leitor, Bolsonaro não virou bonzinho. Não acredite nele, você vai quebrar a cara.

 

Bolsonaro fez o maior cavalo de pau da política nacional porque percebeu que perdeu o controle da situação. Fora o impeachment, não havia alternativa a não ser o recuo dramático. Ouviu isso de Michel Temer, Arthur Lira e Ciro Nogueira. A escalada das manifestações contra o seu golpismo, sobretudo os discursos dos presidentes do STF e do TSE, mostrara que se avolumava o desejo político de afastá-lo. Fora Braga Netto, Heleno e Luiz Ramos, que não contam, nem entre os generais ele conseguiu encontrar respaldo para o atentado criminoso que intentou contra a democracia no dia 7.

 

A quinta foi repleta em sua tentativa de passar panos quentes sobre a porcariada que fizera dois dias antes. Tanto que, de graça, fez um elogio à China, reconhecendo que mais da metade das vacinas aplicadas no Brasil é chinesa. Faltou enaltecer João Doria. Mais uma hora ou duas de tensão talvez ele tivesse chegado a esse ponto. Poderia também ter pedido de volta a MP inconstitucional que altera o Marco Legal da internet. Mas esta ele receberá de retorno, com certeza, pelas mãos do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ou por determinação do Supremo.

 

O homem ficou nu. O que se viu foi sua vergonha. Não havia com o que se proteger, fora o espetacular giro de 180 graus. Traiu e deixou muito mal os golpistas que tostaram ao sol de cerrado ou paulistano para ver seu mito fechar o Supremo. Mas estes merecem estar mal, como Bolsonaro está mal. Compraram um discurso ultrapassado, doentio e autoritário sem entender bem o porquê. Além da morte, que mais cedo ou mais tarde o contemplará, da prisão, que está logo ali na esquina, a derrota o alcançou.

 

Mas derrotá-lo numa tentativa de golpe não basta. O necessário é impedi-lo de voltar à carga contra as instituições. O caminho é um só, seu impeachment e a destituição de seus direitos políticos. Um homem grotesco, intolerante e estúpido como Jair Bolsonaro não merece fazer política no Brasil. E o Brasil não merece castigo tamanho”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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