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Editorial – 13.10.2021

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Durante esses dias de feriado, o tema que mais ficou em evidência no país foi aquela mudança de destinação de recursos originalmente reservados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, a pedido do ministro da Economia Paulo Guedes, que praticamente inviabiliza a Pasta, e nós trataremos disso durante o programa.

 

Nesse espaço editorial, eu gostaria de fazer a leitura da coluna da jornalista Thaís Oyama, publicada na última segunda-feira (11) pelo site UOL, onde ela trata da disputa pela preferência dos eleitores evangélicos para o pleito presidencial do ano que vem. O título do texto é “Na “guerra espiritual” entre Lula e Bolsonaro, Mendonça é só uma batalha”. Diz a Thaís:

 

‘Isso não se faz’, disse o presidente Jair Bolsonaro ontem sobre a teimosa recusa do senador Davi Alcolumbre em pautar a sabatina de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal.

 

Bolsonaro precisa desesperadamente de André Mendonça no STF não apenas porque o ex-advogado-geral da União é pastor de uma igreja evangélica, segmento cuja sustentação foi fundamental para a sua eleição em 2018, mas principalmente porque, a cada pesquisa que sai, Bolsonaro constata que esse apoio começa a lhe faltar.

 

E isso pouco tem a ver com religião.

 

Segundo o Censo de 2010, a maior parte dos cristãos evangélicos do país segue a vertente pentecostal, dominada no Brasil pela Assembleia de Deus, e quase um terço desses evangélicos pentecostais ganha menos de um salário mínimo. Eles compõem, portanto, a parte dos brasileiros mais afetada pelo desemprego e pelo botijão de gás a quase 100 reais.

 

Se a nomeação de André Mendonça para o STF não terá o condão de reverter essa situação, ao menos responderá aos anseios e interesses da bancada evangélica, e isso já é muito. A maior bancada da Câmara dos Deputados está repleta de pastores, cantores gospel e lideranças ligadas a empresários de rádio ou TV — estes, sim, capazes de influenciar o voto dos fieis em prol de Bolsonaro.

 

De março para cá, a aprovação do presidente entre os seguidores de denominações evangélicas caiu de 37% para 29%. Isso significa um tombo de oito pontos percentuais num eleitorado que até então vinha se mantendo leal ao ex-capitão.

 

Para o presidente, o contraponto a essa má notícia é o fato de as mesmas pesquisas apontarem que seu maior rival em 2022 tampouco vem conseguindo atrair o voto desse público.

 

Segundo o último Datafolha, quase metade (47%) dos brasileiros que se definem como evangélicos dizem que não votariam “de jeito nenhum” em Lula.

 

A avaliação do ex-presidente é pior entre fieis das vertentes pentecostal e neopentecostal, denominações que enfatizam a ideia de que Deus governa a igreja e, fora dela, reina o pecado, a violência e o vício — em outras palavras, o Mal.

 

A associação espertamente fomentada pela retórica bolsonarista entre o PT e o “comunismo”, a “defesa do aborto” e da “ideologia de gênero” — tudo isso, por sua vez, ligado ao capeta— explica boa parte da rejeição dos pentecostais a Lula, que, não por acaso, tem afirmado a aliados o desejo de manter distância das bandeiras LGBTQIA+.

 

O ex-presidente costuma dizer que não irá cometer “o mesmo erro de Hillary Clinton”. A ex-candidata à presidência nos Estados Unidos em 2016 foi criticada por ter priorizado em sua campanha minorias raciais e de gênero em detrimento da classe trabalhadora branca e eleitores com fortes convicções religiosas.

 

A guerra espiritual entre Lula e Bolsonaro está só começando e as trincheiras dessa luta serão os templos em que erguem os braços 31 milhões de brasileiros”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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