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Editorial – 14.02.2020

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O processo de derretimento da economia brasileira continua em curso. Apesar da intensa propaganda da mídia dominante a respeito da correção das reformas económicas em curso e, principalmente, a respeito dos próprios resultados da economia brasileira no final do ano passado, hoje o Banco Central irá divulgar o resultado da sua medição sobre atividade econômica para o mês de dezembro, concluindo sua estimativa, sua mensuração do crescimento económico no ano de 2019, e vamos ficar novamente com esse indicador em torno de 1%.

 

Isso significa que depois de dois anos de recessão profunda, em 2015 e 2016, vamos ter agora em 2019 o terceiro ano em que a economia patina, e isso mostra muito bem como o conjunto de medidas que vem sendo adotadas desde o final do segundo mandato interrompido da presidente Dilma, desde o próprio governo Temer e principalmente agora com o governo de Bolsonaro, essas medidas não resultam em nenhum tipo de alteração da qualidade da economia brasileira, principalmente do seu dinamismo, da capacidade de gerar empregos.

 

Muito pelo contrário, o drama do desemprego agora parece que está naturalizado, essa mídia dominante que badala muito as reformas económicas agora emprega o termo de empreendedores ou trabalhadores informais. Na verdade, são os trabalhadores brasileiros que estão sendo jogados ao lado, desperdiçados.

 

Se há algo que deve ser combatido hoje na economia brasileira é justamente esse desperdício não só da capacidade produtiva instalada, mas da força de trabalho de milhões de seres humanos, trabalhadores brasileiros que mereceriam todas as condições para não só trabalhar, mas principalmente melhorar as suas respectivas condições de vida. Nossa imensa maioria é constituída de pessoas pobres e miseráveis, o que é uma vergonha em um país riquíssimo e, evidentemente, a responsabilidade disso é dos descaminhos da economia brasileira.

 

O mais grave é que estamos em um processo, conforme caracterizo há algum tempo, de excepcionalidade institucional, especialmente a partir do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff e de um conjunto de situações geradas no país com o respaldo, inclusive, do Poder Judiciário, mas há um outro respaldo muito importante que ganha destaque a cada dia que passa, diz respeito ao apoio da alta cúpula do Exército a essa aventura que se chama governo Bolsonaro. Ontem foi confirmado que o general Braga Neto, que foi justamente o general que comandou aquela questionável intervenção militar aqui na área de segurança pública no Rio de Janeiro, irá ocupar um cargo de ministro Chefe da Casa Civil.

 

É uma pasta importante, tem assento e sala no Palácio do Planalto e ele vai se somar a outros generais que cercam Bolsonaro dentro do Palácio do Planalto, como é o caso do general Luiz Eduardo Ramos, do general Augusto Heleno, bem como o próprio general Eduardo Villas Bôas, que foi comandante do Exército de Dilma e Temer e curiosamente cumpriu um papel muito importante na campanha de Bolsonaro, apesar de estar investido nesse cargo de comandante do Exército.

 

Quem destacou isso foi o próprio Bolsonaro em solenidade onde dava posse um a outro general, Fernando Azevedo e Silva, que ocupa o Ministério da Defesa. Na solenidade de posse de Fernando Azevedo e Silva, Bolsonaro fez rasgados elogios ao general Eduardo Villas Bôas, inclusive atribuindo a ele o fato dele, Bolsonaro, ser o presidente da República. Isso mostra que essa alta cúpula do Exército, que, quando se ensaiava a candidatura de Bolsonaro, para muitos esses generais poderiam ser uma espécie de anteparo, seguro contra quaisquer aventuras de Bolsonaro especialmente no campo da defesa da nossa soberania nacional, tudo isso vai caindo por terra. O governo Bolsonaro é inteiramente subordinado aos interesses dos Estados Unidos, não tem nenhum projeto estruturante para o país e claramente afirma que seu objetivo é destruir aquilo tudo aquilo que foi feito no passado, o que está errado.

 

Ora, há muita coisa errada no país em seu passado, mas principalmente em seu presente e é lamentável que generais não tenham o menor constrangimento não só de apoiar e participar de um governo como de Bolsonaro, que não somente entrega nossos riquezas, sacrifica a nossa soberania nacional, mas principalmente é um governo que, todos nós sabemos, o presidente e seus filhos têm íntimas ligações com bandos criminosos aqui do Rio de Janeiro, como é o caso desse ‘Escritório do crime’, que era anteriormente comandado por esse ex-capitão do Bope Adriano e agora, inclusive, está envolvido em uma série de questões gravíssimas que precisariam ser esclarecidas, como é o caso do próprio assassinato da vereadora Marielle e que até hoje aguarda qualquer tipo de esclarecimento mais consistente.

 

Note bem, esse assassinato se deu no início do processo de intervenção militar aqui na área de segurança pública do Rio de Janeiro, cujo o comandante era justamente o general Braga Neto. Portanto é um quadro extremamente grave esse que estamos vivendo. Um governo que joga para o alto a nossa soberania nacional, não apresenta nenhum tipo de alternativa para os gravíssimos dramas no campo da economia que estamos vivendo, principalmente o desemprego, e cada vez mais fica patente o seu envolvimento com esses grupos de bandidos do Rio de Janeiro, de íntima relação com a família do presidente da República.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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