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Editorial – 14.05.2019

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A tensão política sobe. Sua temperatura vai se elevando, isso tanto no plano internacional, como internamente, aqui no nosso país. Sob o ponto de vista internacional, a China ontem respondeu à chamada guerra comercial travada por Trump contra o país e também anunciou uma sobretaxação em relação aos produtos americanos importados pelos chineses.

 

A diferença em relação à política norte-americana, que foi de impor tarifas mais altas de importação sobre US$ 200 bilhões vendidos pelos chineses ao mercado americano, fez com que a China agora apontasse uma sobretaxação em um volume de exportações de US$ 60 bilhões, e essa sobretaxação seria de 25%.

 

É a maneira como Pequim vai respondendo às provocações de Washington, mas o problema mais sério é justamente nas relações entre os Estados Unidos e o Irã, relações que vêm se tensionando há muito tempo e, especialmente com o governo de Trump, as preocupações aumentaram, até porque o governo de Trump renunciou ao acordo nuclear de Teerã com um conjunto de super potências e, ao mesmo tempo, dentro do seu governo há aqueles falcões da guerra que alimentam a expectativa inclusive de uma guerra aberta contra o Irã.

 

É nesse sentido que devemos avaliar o que aconteceu de fato perto do Estreito de Ormuz. O Estreito de Ormuz é um dos locais mais importantes sob o ponto de vista do abastecimento de petróleo para o mundo existente. É um estreito que separa a península arábica do Irã, muito próximo, e onde ontem houve ataque a quatro navios petroleiros, um ataque muito suspeito e que pode ter sido sim apenas uma tentativa de um pretexto para o agravamento das relações entre Washington e Teerã, podendo levar inclusive a conflitos militares.

 

Na semana passada, um porta-aviões poderosíssimo dos Estados Unidos foi deslocado para aquela região. Agora surge esse ataque suspeitíssimo, ninguém assumiu, ninguém sabe ao certo o que aconteceu, mas o fato é que isso elevou a tensão internacional, as bolsas de valores caíram e continuam a cair hoje pelo mundo afora e aqui dentro, o dólar disparou.

 

Aqui dentro a tensão se eleva porque agora os analistas de plantão, dos bancos, os analistas de multinacionais a serviço da mídia dominante agora começam a apresentar, frente às dificuldades econômicas do país, diagnósticos muito curiosos sempre no campo da psicologia. Parece que, para essa gente, o problema econômico está na falta de confiança do empresariado, especialmente frente à tramitação das ditas reformas que iriam salvar o país, principalmente a contrarreforma da Previdência.

 

Não sei como é possível alguém ter a cara de pau de falar em público que o arrocho maior aos trabalhadores, a retirada de direitos possa melhorar a nossa situação que justamente passa por uma recuperação do poder aquisitivo da população, por um maior papel do Estado induzindo o crescimento e o próprio gasto público, mas isso tudo contradiz com o discurso oficial que bate na tecla da austeridade fiscal, do controle de gastos e, consequentemente, o aprofundamento da própria estagnação ou mesmo da recessão econômica.

 

Por isso é necessário que a gente focalize muito bem quais são as nossas dificuldades. É verdade que em 2014 o governo Dilma havia caído em uma espécie de armadilha e onde medidas seriam necessárias. Só que as medidas adotadas foram essas recomendadas pelos bancos. A consequência está aí, tivemos uma recessão violentíssima em 2015 e 2016, e desde então não nos recuperamos, essa é a questão central que tem de ser enfrentada.

 

O modelo econômico baseado na austeridade fiscal, nas privatizações, na retirada de direitos, no arrocho contra os trabalhadores, esse tipo de política tem de ser superada, o problema é que existe hoje um falso consenso dentro do país, que é produzido por bancos, multinacionais e pela mídia dominante, que a rigor nos empurra para outro lugar, para o lugar da recessão, da estagnação, do desemprego, da deterioração dos serviços públicos e, principalmente, da desnacionalização do parque produtivo e a desindustrialização, que vai cada vez mais maltratando o tecido econômico brasileiro e nos colocando em uma perspectiva extremamente negativa frente, inclusive, às mudanças tecnológicas que estão em curso no mundo.

 

Por isso, mais do que nunca, muito longe do psicologismo, o que precisamos é mudar a política econômica, o modelo econômico, e para isso é necessário uma ampla unidade. Em primeiro lugar para quebrar esse falso consenso produzido pela mídia dominante com o apoio de bancos e de multinacionais. É necessário estarmos absolutamente atentos a tudo que acontece para que possamos de fato virar esse jogo.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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