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Editorial – 14.08.2019

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A página 12 do jornal O Globo de hoje mostra uma matéria a respeito das vítimas das últimas operações policiais aqui no Rio de Janeiro. A manchete é “Sonhos perdidos: em 80 horas, violência tira vida de cinco jovens e deixa famílias destroçadas”. Logo abaixo, são cinco fotos em que aparecem justamente alguns desses jovens assassinados. Diogo Coutinho tinha 16 anos e levou um tiro nas costas; Gabriel Alves, de 18 anos, foi baleado no peito; Lucas Costa, de 21 anos, foi executado em uma festa; Enrico Júnior, de 19 anos, levou um tiro na cabeça; Tiago Freitas, de 21 anos, foi baleado na cabeça também.

 

Tudo isso por conta da ação da polícia, do Estado brasileiro. A justificativa das autoridades, dos policiais, é sempre a mesma, eram suspeitos. A suspeição sempre é em torno do chamado tráfico de drogas ilícitas, mas o drama, a violência e, principalmente, o despreparo da polícia, do Estado, continua em curso, e a violência cada vez maior. O governador Witzel disse que mortes de inocentes não irão alterar a sua política. Ele foi claro, “se os criminosos acham que matando inocentes vão fazer com que o Estado pare, eles estão absolutamente enganados. Muito pelo contrário, o Estado lamenta essas mortes, vamos a trabalhar para evitar novos casos”.

 

É necessário trabalhar muito, não é, Witzel, afinal de contas parece que essas mortes de fato não lhe dizem respeito, mas não são os criminosos que estão matando esses jovens, é a polícia do estado. Se ela se confunde com os criminosos, a responsabilidade é do governador, e é isso que vem ocorrendo. É muito difícil pensar que nós iremos enfrentar o problema da violência criminal com mais violência, afinal de contas desde os anos 1970, é isso que está em curso e, desde então, a violência só tem aumentado.

 

Na verdade, só poderíamos enfrentar a violência se tivermos um Estado que ao invés de matar jovens, invista violentamente na educação e na geração de empregos. Seriam duas questões essenciais para um Estado que, inclusive, precisa mostrar serviço à população, mas não, esse Estado deveria ser voltado para a maioria da nossa população sofrida, mas o Estado que temos é voltado para as minorias, que defende os negócios e, principalmente, os lucros das grandes corporações, e para tanto, manter o povo super explorado é fundamental, mas junto com a super exploração, é necessária justamente a repressão, a repressão total.

 

O Estado que está sendo montado no Brasil é o Estado policial, coerente com esse conjunto de medidas econômicas que vêm sendo adotadas e fragiliza a capacidade do Estado intervir na área social e, principalmente, criar melhores condições para a super exploração do trabalho. Sem isso, sem o fim dessas duas questões, do Estado policial e da super exploração do trabalho, o que teremos apenas serão mais tragédias. É isso que precisamos estar absolutamente conscientes e exigir compressão na rua, junto às instituições, que haja mudanças. Sem essas, nós teremos simplesmente a continuidade desse drama que vai cada vez mais afetando nosso dia-a-dia e nos envergonhando como brasileiros.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

 

Entrevista em 14.08.2019

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