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Editorial – 15.04.2019

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A cidade do Rio de Janeiro continua sob o impacto dessa tragédia que ocorreu na comunidade da Muzema. Muzema, junto com Rio das Pedras, é uma área popular simbólica porque foi nessa região que teve início a escalada perigosíssima do domínio de milicianos em áreas da nossa cidade. Aquela região abriga milicianos especiais, são todos oficiais ou ex-oficiais da Polícia Militar e, curiosamente, todos eles relacionados intimamente com a família de Bolsonaro. Um deles inclusive, o foragido ex-capitão Adriano, já teve sua mulher e sua mãe empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro.

 

Mais do que isso, capitão Adriano é suspeito pela polícia de ser o responsável de um chamado ‘Escritório do crime’, a quem se atribui muitos assassinatos, inclusive a execução da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. Por tudo isso, é muito estranho que o Rio de Janeiro, capital de grandes eventos de repercussão internacional, objeto inclusive de intervenções militares espetaculosas, não tenha até hoje tomado nenhum tipo de atitude mais grave, mais consistente para desbaratar essa quadrilha.

 

Agora sabemos que todas aquelas construções irregulares são controladas pela milícia de Rio das Pedras, mas são poucos os noticiários que dão nome aos bois, que claramente colocam que os responsáveis por essas ocupações irregulares, pela venda de imóveis absolutamente irregulares e perigosos, como agora nós vemos, são responsabilidade direta desses oficiais e ex-oficiais da Polícia Militar. Tudo isso é muito triste, afinal de contas nos acostumamos a observar que a polícia, as autoridades de segurança deveriam zelar justamente pela nossa segurança, mas parece que a preocupação dessa gente é outra, criar condições para esses grupos paralelos de bandidos incrustados no estado continuem a agir.

 

Por isso, mais do que nunca, hoje quando observamos que a própria Presidência da República é fortemente influenciada por esses grupos milicianos, é necessário que a cidadania, aqueles que de fato defendem uma democracia venham a se unir e, principalmente, construir uma resistência consistente contra uma escalada que parece não ter fim. Começou em uma região pobre do Rio de Janeiro e agora empolga até mesmo o Palácio do Planalto. Até quando iremos assistir tudo isso de braços cruzados?

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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