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Editorial – 15.05.2019

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Os educadores de todo país paralisam suas atividades hoje em protesto contra os anunciados cortes da educação e, principalmente, contra o ataque que o governo Bolsonaro vem desferindo contra a Previdência Social pública. É um movimento que promete entrar para a história, desde hoje cedo os professores já ocupam algumas praças, avenidas, prédios em frente aos estabelecimentos escolares, haverá aulas públicas e manifestações em todas as capitais e grandes cidades do país.

 

A manifestação envolve, inclusive, estabelecimentos do ensino particular, são muitos educadores de vários colégios que declaram adesão ao movimento convocado pelo setor da educação, pelas centrais sindicais e por todos aqueles que querem defender a educação no nosso país. Estamos sob forte ataque de um governo que assume como verdade máxima a ideia de um arrocho fiscal para superar a crise brasileira. Ontem, por exemplo, o senhor Paulo Guedes, um financista que ocupa o Ministério da Economia, voltou a bater nessa tecla afirmando que não só a economia está no fundo do poço, mas insistindo em atribuir essa crise ao problema fiscal.

 

É muito difícil acreditar nesse tipo de diagnóstico em um país onde os lucros e dividendos, a principal renda dos super ricos, não é taxada, onde as desonerações fiscais viraram uma moda há alguns anos, onde a desoneração da folha de pagamentos veio atingir principalmente os recursos disponíveis para o equilíbrio do orçamento da seguridade social, um país onde frequentemente temos as chamadas anistias fiscais ao mundo do agronegócio ou tivemos, recentemente, a isenção fiscal para as petroleiras internacionais de olho no nosso pré-sal, e isso tudo em um país dominado pelo latifúndio, onde o Imposto Territorial Rural é ridículo.

 

São ridículas também as alíquotas do imposto de renda que atingem as maiores rendas, e há claramente um processo de fragilização do nosso mercado de trabalho com suas terceirizações, seus ataques à legislação trabalhista, que fragilizam evidentemente o próprio ambiente econômico. Os empresários não investem simplesmente porque se sentem otimistas, empresários investem quando vêem a perspectiva de lucro, e isso é assegurado por demanda que é o Estado o principal responsável por ser criada.

 

Por isso, nós defendemos que muito além da luta contra os cortes na educação, da luta contra o ataque à Previdência Social pública, é necessário que haja um amplo movimento no país para derrotar o modelo econômico que está em curso desde os anos 1990 e que tem implicado uma série de deformações e prejuízos para nossa população. Temos um processo em curso de desindustrialização, de desnacionalização do parque produtivo, temos também a fragilização do Estado em meio a essa financeirização que sequestrou a dívida pública do Banco Central para os propósitos de enriquecimento de uma minoria que prefere investir seus recursos no lucrativo mercado da dívida pública ao invés de dirigir esses recursos para o mundo da produção, do consumo.

 

Mais do que nunca, hoje é necessário estarmos juntos com educadores na defesa da educação e de uma nova economia para o Brasil, e tudo isso aponta para o movimento já convocado pelas centrais sindicais para o dia 14 de junho, quando certamente realizaremos a maior greve geral deste país. Por isso, queremos saudar hoje todos os educadores, instituições que estão apoiando e organizando esse movimento que promete entrar para a história.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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