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Editorial – 15.10.2020

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Em tempos de crise, mesmo os representantes do grande capital internacional se ’convertem’ a práticas keynesianas. Até o Fundo Monetário Internacional mostrou ontem que se rendeu àquilo que há muito tempo a chamada esquerda liberal defende. No seu relatório “Monitor Fiscal”, o FMI defendeu o aumento da progressividade das cargas tributárias dos diferentes países como forma de lidar com o crescimento do endividamento público.

 

Ou seja, uma das saídas para a retomada da economia apontadas pelo organismo seria o aumento dos impostos sobre os mais ricos, com a taxação dos ganhos de capital, propriedades de luxo e grandes fortunas. A questão é que, aqui no Brasil, os ultraliberais não se mostram nem um pouco afeitos a adoção desse tipo de agenda, muito pelo contrário, só se tenta penalizar cada vez mais a classe trabalhadora. Exemplo disso é a reforma tributária que está tramitando lá no Congresso, que sequer toca naqueles privilegiados do topo da pirâmide.

 

A respeito dessa indicação feita pelo FMI e do desafio colocado para as esquerdas no Brasil, eu queria aproveitar para fazer a leitura de um artigo publicado ontem pelo jornalista Breno Altman, no jornal Folha de S. Paulo intitulado “Só há saída pela esquerda”:

 

Apesar de esforços e iniciativas das mais variadas, a oposição liberal ao governo Jair Bolsonaro (sem partido) fracassa em se apresentar como alternativa ao cavernícola.

 

A velha coalizão de direita, encabeçada por PSDB, DEM e MDB, que liderou o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff (PT) em 2016, não consegue se libertar dos braços felpudos da nova chefia do bloco conservador. Rosnam contra os maus modos do presidente e divergem de suas tentações autoritárias mais agudas. Continuam a votar, porém, nas principais reformas, além de serem refratários aos pedidos de impeachment e a combater com firmeza uma administração que está levando o país à breca.

 

Essa leniência repousa na confluência de política econômica e projeto nacional entre neoliberais e neofascistas. Contrapõem-se quanto à via de implementação do programa grão-burguês, com ou sem Estado policial escancarado. Também diferem em temas de direitos civis. No resto, contudo, estão irmanados, incluindo as fraudes da Operação Lava Jato para interditar a candidatura de Lula (PT) em 2018.

 

O país está em ruínas após quase cinco anos sob agenda pró-mercado. Os lucros do capital financeiro estão preservados e engordam, enquanto os níveis de renda e emprego desabam. Milhões de brasileiros retornam à miséria em um despenhadeiro cujo único anteparo é a renda emergencial aprovada pelo Parlamento, de valor minguante e marcada para morrer.

 

A pandemia expôs as entranhas desse modelo e acelerou seu apodrecimento, mas o definhamento antecede a doença. Depois de um triênio (entre 2017 e 2019) com crescimento médio de 1,25%, a perspectiva é de uma queda superior a 5% no ano corrente. O desemprego aberto ameaça alcançar os 15%, enquanto a massa salarial pode sofrer redução próxima a 5%.

 

A emenda constitucional 95/2016, que fixa o teto de gastos, destroçou os serviços públicos. Somente da saúde retirou R$ 20 bilhões em 2019, um corte de quase 15% quando comparado ao patamar orçamentário anterior à mudança.

 

Outras medidas do mesmo naipe, como as reformas trabalhista e previdenciária somente levaram à precarização de direitos e à perda de renda dos trabalhadores, com o enfraquecimento do mercado interno e da arrecadação tributária.

 

O fato é que a sociedade tácita entre neoliberalismo e neofascismo, apesar das rusgas entre seus acionistas, destroça a soberania nacional e dilacera a vida do povo brasileiro. Beneficia exclusivamente um punhado de ricos e parasitas.

 

As duas variáveis do conservadorismo são faces de um mesmo sistema, ancorado na transferência de renda e poder dos mais pobres e dos assalariados para os donos do dinheiro grosso. Suas contradições são secundárias e eventuais.

 

Somente há saída para a crise brasileira com um novo governo de esquerda, disposto a romper com o modelo atual e implantar reformas estruturais, alterando as bases do Estado e do desenvolvimento econômico-social, como propôs o PT em programa recentemente lançado, estranhamente silenciado por grandes veículos de comunicação.

 

O grande desafio dos partidos progressistas é saber se serão capazes de fustigar a carroça da história, como conclamou o russo Vladimir Maiakovski em seu célebre poema ‘À Esquerda’”.

 

Bom, eu concordo com quase tudo que o Breno Altman disse aqui no seu artigo, menos na parte em que ele sugere que o plano lançado pelo Partido dos Trabalhadores seja a solução dos nossos problemas. Sem autocrítica e rompimento definitivo com as estruturas do capital hegemônico, fica impossível se trilhar um caminho de superação para nossa eterna dependência.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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