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Editorial – 17.11.2020

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Ainda a respeito do resultado do primeiro turno das eleições do último domingo, que aqui no Rio de Janeiro foi uma tragédia no que diz respeito à escolha do novo prefeito, mas trouxe esperanças na formação da próxima legislatura na Câmara dos Vereadores, em São Paulo a situação foi bem diferente, com o resultado expressivo que levou Guilherme Boulos (PSOL) ao segundo turno. A respeito disso, eu farei a leitura de uma ótima análise escrita pelo jornalista Milton Temer, nosso amigo aqui no Faixa Livre. O texto de Milton tem o título de “Boulos, a vitória que pode estar marcando uma mudança de rumo na política brasileira“:

 

Sim. A grande vitória política em São Paulo não é a maior votação de Bruno Covas. É a exponencial votação de Boulos se levarmos em conta as condições desfavoráveis que enfrentou no embate deste primeiro turno.

 

Dezessete segundos na TV, para além de cancelamento de debates em TVs abertas, e a disputa com nomes e partidos expressivos como França, do PSB, e Tatto do neoPT sobre um mesmo segmento de eleitorado, Boulos bateu as máquinas federal, que estava com Russomano, e as estadual e municipal, trabalhando ostensivamente para Covas.

 

Por isso é fundamental compreender que, longe de estar fora de moda, ou superada por ‘defender valores da esquerda do século XIX’, é com a radicalidade ‘denunciada’ por Covas em seu discurso na GNews, que a esquerda combativa se afirma novamente como alternativa ansiada por parte expressiva da sociedade civil.

 

O triste neste cenário ficou por conta da não-participação de Freixo no Rio de Janeiro. Saiu da disputa por se prender a uma lógica que Boulos nunca se preocupou em aplicar em São Paulo. Estivessem os dois na batalha, a sinergia reforçaria ainda mais cada uma das campanhas, propiciando a formação de mais expressivas ainda bancadas de vereadores.

 

Boulos não cogitou de condicionar sua candidatura à pré-formação de uma ampla frente em coligações que, a própria legislação eleitoral, com a justa proibição de estende-las às proporcionais, tornavam irrealizáveis.

 

Enquanto Freixo saía da rinha por, segundo alega, não ter condições de construir uma frente ampla de apoio, Boulos não hesitou nem perdeu tempo. Recebeu o apoio do PCB e da UP, que nada lhe acrescentavam em tempo de televisão, mas muito acrescentavam em simbologia política com a composição de uma Frente de Esquerda, e foi à luta.

 

Construiu na prática uma frente, que na prática, por fora das cúpulas, terminou por estabelecer diretamente na sociedade. Uma Frente que começou a se consolidar a partir das mobilizações promovidas pelo PSOL e o MTST, na aliança com setores politizados das torcidas de futebol, sob a liderança de Boulos. Mobilizações que lograram banir das ruas as manifestações bolsonaristas na campanha em que defendiam a restauração da ditadura empresarial-militar que nos alvejou por mais de duas décadas.

 

A partir de agora, somos todos Boulos e Erundina!! Vamos transformar a campanha de São Paulo numa campanha nacional de mobilização e organização das forças de esquerda para o grande embate, que já se inicia agora, pela defenestração dessa tropa miliciana que ora nos impõe um dos mais reacionários momentos de vida política e social. O tempo deles vai acabar!! Luta que Segue!!”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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