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Editorial – 17.11.2021

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Nós temos comentado aqui no programa já há algum tempo essa filiação do ex-juiz Sergio Moro ao Podemos, que aconteceu na última semana, partido pelo qual ele deve concorrer à Presidência da República. E o que se viu desse senhor no dia do anúncio da sua filiação, na quarta-feira da última semana, foi aquela figura centralizadora, que elegeu o petismo e o bolsonarismo, caracterizados pelo fantasma da corrupção, na avaliação dele, como os inimigos a serem batidos.

 

A jornalista Cristina Serra escreveu ontem (16) mais uma excelente coluna para o jornal Folha de S. Paulo a respeito justamente dessa volta do Sérgio Moro à política, que eu faço questão de lê-la para vocês ouvintes. O título do texto é “Moro, a fraude”. Diz a Cristina:

 

Eis que Sérgio Moro reaparece, com o messianismo e o discurso justiceiro de sempre, transbordantes no seu retorno aos holofotes. Moro exercitou as cordas vocais e estudou pausas teatrais, tentando dar alguma credibilidade ao estilo “corvo” moralista, atualizado para o século 21, só que sem a capacidade retórica do modelo original, o udenista Carlos Lacerda.

 

O erro de Moro é achar que o Brasil ainda está em 2018 e que vai votar em 2022 movido pelo ódio, por ele estimulado quando conduziu a Lava Jato. No processo que levou à condenação do ex-presidente Lula, o então juiz rasgou o devido processo legal e a Constituição. Isso não é versão nem narrativa. É o entendimento consagrado pelo STF, que o considerou um juiz suspeito.

 

Este é o fato mais importante da biografia do agora candidato e não pode ser naturalizado como página virada. Isso revela a essência de Moro. Ele grampeou advogados de Lula (tendo acesso, portanto, às estratégias de defesa do réu); determinou condução coercitiva espetacularizada; divulgou áudio ilegal e seletivo envolvendo a presidente Dilma, vazou delações.

 

O vale-tudo processual deu caráter de justiçamento à Lava Jato, feriu o Judiciário, a democracia e o país. Tudo com a complacência da mídia, a mesma que agora parece ver no ex-juiz o nome que procura para a terceira via como quem busca o Santo Graal.

 

Moro nunca demonstrou o menor constrangimento em servir a um presidente adepto da tortura e com notórias conexões criminosas. Tentou dar a policiais esdrúxula licença para matar sob forte emoção. Como quem fareja carniça, quando deixou o governo, foi ganhar dinheiro no processo de recuperação de uma das empresas que ajudou a esfolar.

 

Agora, Moro se apresenta como democrata. É uma fraude. Ele e Bolsonaro se igualam na mesma inclinação totalitária. As semelhanças, aliás, foram ressaltadas por pessoa insuspeita. Foi a senhora Moro quem disse, quando este ainda era ministro, que via o marido e o presidente como ‘uma coisa só’”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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