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Editorial – 18.05.2020

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Hoje eu gostaria de apresentar a vocês, ouvintes, dois episódios ocorridos na última sexta-feira, que são de conhecimento da maioria das pessoas, e simbolizam o triste retrato do país em meio à pior crise de saúde de sua história. Primeiro a segunda troca em menos de um mês no Ministério da Saúde. A saída de Nelson Teich da Pasta não surpreende.

 

Qualquer pessoa que tenha o mínimo vestígio de racionalidade, primeiro não aceitaria um cargo no governo de Jair Bolsonaro. Depois, ainda que tenha caído na esparrela de assumir a bronca, talvez para atender a algum projeto pessoal, percebe rapidamente que a ignorância é indomável.

 

O perfil ditatorial do ex-capitão do Exército, que não respeita a vida e condena o contraditório, ainda que embasado em estudos científicos aprofundados, como se dá na tentativa intransigente de impor a cloroquina no tratamento aos pacientes diagnosticados com a Covid-19, gera repulsa. Até mesmo o seu guru Donald Trump teve de se render à ciência e já não fala mais sobre o medicamento que pode provocar efeitos colaterais irreversíveis aos pacientes que o utilizam. Bolsonaro, além de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, são os únicos líderes mundiais que defendem o uso da cloroquina, para arrepio da Organização Mundial da Saúde.

 

Para ter seu desejo insano atendido, o presidente nomeou como interino no Ministério o general Eduardo Pazuello e lhe entregou a missão de assinar o protocolo que libera o medicamento para qualquer um que esteja infectado pelo novo coronavírus. Como sempre, Bolsonaro recorre aos militares, cada dia mais comprometidos com seu projeto ditatorial, como evidenciou o artigo do vice-presidente, general Hamilton Mourão, ao jornal O Estado de São Paulo na última quinta. O autogolpe se desenha na mesma velocidade em que é ampliada a tragédia provocada pela pandemia, que já mata mais de 800 brasileiros por dia.

 

O segundo caso é talvez ainda mais preocupante que este que acabo de relatar e mostra que a resistência ao autoritarismo terá de se dar única e exclusivamente pela mobilização popular. O deputado federal Marcelo Freixo desistiu de concorrer à prefeitura do Rio de Janeiro nas eleições deste ano. O parlamentar, que foi segundo colocado nas duas últimas disputas ao Executivo municipal, havia acertado uma aliança com o Partido dos Trabalhadores e tentava o apoio de outras legendas ditas progressistas como o PDT, o PCdoB, o PSB e a Rede, em uma necessária e ampla frente democrática para derrotar a ameaça do fascismo que se amplia.

 

Não houve acordo, o que provocou a desistência de Freixo. Prova do isolamento de PT e PSOL no cenário nacional foi a live organizada no sábado que reuniu as principais lideranças nacionais desses partidos que recusaram a coligação no Rio. Me refiro a Ciro Gomes, Flávio Dino, Marina Silva e Alessandro Molon.

 

Nós entendemos que as diferentes legendas tenham seus programas próprios e interesses que passam por afirmação nas urnas. A grande questão é que o momento é de excepcionalidade. O que está em jogo não são projetos partidários ou individuais de determinados caciques da política brasileira. O que está em debate neste momento é a manutenção da nossa democracia. Enquanto não houver união daqueles que se dizem comprometidos com a Constituição e a legalidade em torno de um projeto de país, quem vai sofrer é o povo trabalhador, que atualmente se aglomera nas filas das agências da Caixa, dos hospitais e dos cemitérios. Se não houver entendimento entre as forças de esquerda já para as eleições de 2020, as de 2022, que são o alvo desses partidos, podem sequer acontecer.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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