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Editorial – 19.05.2020

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A incompetência administrativa e o radicalismo doentio de Jair Bolsonaro vão provocando, aos poucos, o desembarque de alguns daqueles neoliberais que se aliaram a ele na tentativa de derrotar o petismo nas eleições de 2018. O desafeto mais recente do presidente é o empresário Paulo Marinho, que chegou a ceder sua casa no Rio de Janeiro para a estrutura de campanha do então deputado federal.

 

Ao perceber que a gestão do ex-capitão do Exército leva o Brasil para sua mais grave crise política e economia da história, Marinho, que também é suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, abandonou a nau governista na época em que o ex-ministro Gustavo Bebianno foi demitido e agora acabou revelando mais um dos segredos de família. Vou passar à leitura do artigo do sociólogo Celso Rocha de Barros, publicado ontem no jornal Folha de S. Paulo, que fala sobre mais esse escândalo no centro do poder do país. O título do artigo é “Em 2018, venceu quem fugiu da polícia”.

 

A entrevista do empresário Paulo Marinho a Mônica Bergamo, publicada pela Folha neste domingo (17), mostrou que Jair Bolsonaro e seus filhos dispunham de um esquema de acobertamento dentro da Polícia Federal durante a eleição.

 

Segundo Marinho, um delegado da PF avisou Flávio Bolsonaro de que a operação Furna da Onça, em que o esquema Queiroz foi descoberto, seria desencadeada. O mesmo delegado, sempre segundo Marinho, disse que “nós vamos segurar essa operação para não detoná-la agora, durante o segundo turno, porque isso pode atrapalhar o resultado da eleição”.

 

Pense por um minuto no que isso quer dizer.

 

Em 2018, na “eleição da Lava Jato”, o eleitorado queria dizer ao sistema político que “a corrupção é inaceitável”. Milhões de brasileiros pobres votaram em um programa econômico em que nunca tinham votado, só para transmitir essa mensagem. O Brasil arriscou sua democracia, sua estabilidade social, e agora vê seus filhos morrendo às dezenas de milhares na epidemia para bancar essa aventura.

 

Era tudo mentira.

 

Jair Bolsonaro só foi eleito porque, em 2018, tinha um esquema de acobertamento de seus escândalos melhor do que o de qualquer outro político brasileiro. Conseguia segurar operações contra ele durante a campanha; os outros candidatos não conseguiam.

 

Pensem na delação de Antonio Palocci, divulgada às vésperas da eleição, mas pensem também nas operações contra governadores tucanos ocorridas durante o primeiro turno. Se petistas e tucanos tivessem os esquemas que Bolsonaro tinha, nada disso teria vindo à luz.

 

É esta a lição que o bolsonarismo trouxe para os corruptos brasileiros: “Primeiro deveríamos ter recrutado os militares e a polícia. Para o juiz era só ter dado um ministério e deixado que suas fotos do lado da gente o desmoralizassem. Sem essa frescura de PT e PSDB respeitando democracia.”

 

Nesta segunda (18) deve ser divulgado o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. Pelo que já vazou, não restará mais dúvida de que Bolsonaro tentou aparelhar a Polícia Federal para se proteger.

 

O argumento de que pretendia substituir os responsáveis por sua segurança pessoal, e não o comando da PF, foi desmontado por matéria do Jornal Nacional de sexta-feira (15): os responsáveis por sua segurança foram promovidos pouco antes da reunião.

 

Quando estiver assistindo ao vídeo em que o presidente confessa seus crimes contra a Polícia Federal, preste atenção no resto da conversa, no ambiente bolsonarista: na vontade de armar a população contra os governadores, na vontade de prender os ministros do STF, no ódio à democracia e à liberdade.

 

Observe os bolsonaristas conspirando contra a democracia enquanto acobertam seus crimes e aprenda isto: os fascistas são bandidos piores do que os bandidos comuns, mesmo no quesito ‘crime comum’.

 

Ninguém nunca se tornou ditador para prender ladrão. O sujeito vira ditador para ser ladrão em paz, para saquear o dinheiro público sem que a imprensa livre, a oposição, o STF, o Congresso Nacional ou a Polícia Federal o atrapalhem.

 

Na entrevista de domingo, Marinho também contou que o ex-ministro Gustavo Bebianno temia que Bolsonaro tentasse um golpe quando ficasse acuado. Vejamos o que faz com a polícia batendo na porta do Alvorada”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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