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Editorial – 19.11.2020

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A denúncia de que o Governo Federal alterou a legislação para facilitar a exportação de madeira extraída ilegalmente das nossas florestas mostra a quem Jair Bolsonaro deseja beneficiar em sua gestão e reforça as críticas de ambientalistas e de países que condenam a política de preservação ambiental do Brasil.

 

O Greenpeace Brasil, o Instituto Socioambiental e a Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente acionaram a Justiça em junho contra uma decisão tomada pelo presidente do Ibama Eduardo Bim, órgão que foi aparelhado pelo ex-capitão do Exército, que flexibilizou normas para exportação da madeira brasileira.

 

Em março, a pedido das madeireiras, o indicado de Bolsonaro contrariou laudos técnicos do próprio Ibama, suspendeu os efeitos de uma instrução normativa e permitiu que as empresas vendessem madeira para o exterior apresentando o documento de origem florestal (DOF), que é feito pelas próprias madeireiras e só serve, em sua origem, para permitir o transporte da mercadoria até o porto.

 

Na tentativa de convencer Eduardo Bim, os madeireiros do estado do Pará alegaram que estavam deixando de vender porque compradores internacionais exigiam a autorização de importação emitida pelo instituto, que seria uma garantia de que a madeira não foi retirada ilegalmente das florestas do país.

 

Nessa ação, as entidades afirmaram que o Ibama autorizou a extinção do mecanismo de fiscalização ambiental, relativo ao controle da exportação de cargas de madeira, e implementou uma nova dinâmica de fiscalização, que seria realizada quando a madeira já não estaria mais em território nacional. É tão criminoso esse tipo de atitude que fica até difícil fazer algum comentário que não fuja do óbvio.

 

O presidente do Ibama simplesmente deu um cheque em branco para as madeireiras derrubarem ilegalmente as nossas florestas e ganharem muito dinheiro com esse expediente. E o Judiciário, o que é que tem a dizer a respeito disso? Será que ele vai aceitar mais essa ação absurda do governo de Jair Bolsonaro. É esperar para ver.

 

Por falar em absurdo, tivemos na noite da última terça-feira um novo apagão em 13 dos 16 municípios do estado do Amapá que já vinham sendo afetados pelos efeitos da queda de energia há pouco mais de 15 dias, provocada por uma série de problemas em transformadores de propriedade empresa Gimini Energy, responsável pela distribuição da energia.

 

Moradores da capital Macapá e da cidade de Santana realizaram um protesto às escuras na madrugada de terça para quarta. É bom lembrar que o Amapá enfrentava um fornecimento fracionado de energia por intermédio de rodízio de três a quatro horas. Eu estava conversando ontem com o engenheiro eletricista Luiz Pereira, que nos concedeu uma entrevista recentemente a respeito justamente do primeiro apagão, e ele me mostrou fotos do transformador que está a caminho do Amapá. O equipamento pesa mais de 100 toneladas, além das 28 toneladas de óleo necessárias para fazê-lo funcionar. O Luiz Pereira me disse que o detalhe é que, assim que chegar ao local de instalação, esse transformador leva, no mínimo, 20 dias para entrar em operação. Enquanto isso, só medidas paliativas podem ser tomadas.

 

Além do Luiz, nós conversamos aqui no programa com outros especialistas em eletricidade que condenaram esse modelo de privatização do setor energético, e mais uma vez fica claro que a iniciativa privada não tem condições de gerir o fornecimento de energia para um estado inteiro. O mais inacreditável é que depois de mais de duas semanas não haja uma solução para este grave problema, e pior, com a ocorrência de um novo apagão.

 

Agora, se a queda de energia ocorresse em um bairro nobre do Rio de Janeiro ou de São Paulo, não precisava nem ser em todo um estado, fosse no Leblon ou nos Jardins, por exemplo, eu duvido que uma solução já não tivesse sido dada pelos gestores do sistema elétrico. O mínimo que nós esperamos é que a concessão dessa companhia para fornecimento de energia no Amapá seja cassada, com a aplicação de uma multa altíssima, e que o serviço seja reestatizado, porque está mais do que provado que a Eletrobras, empresa pública, é a única capaz de atender a demanda elétrica em um país com dimensões continentais como o Brasil. A iniciativa privada é muito boa sim, mas para obter lucros às custas do prejuízo da nossa população.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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