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Editorial – 21.11.2019

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De fato, o Brasil é um país bastante curioso, e ontem nós tivemos três exemplos gritantes de como as coisas acontecem. Em primeiro lugar, o porteiro do condomínio na Barra onde moram o Bolsonaro e também o suspeito de ser o assassino de Marielle Franco, em depoimento na Polícia Federal alterou a sua versão inicial dada por duas vezes diferentes e agora afirma que simplesmente errou o número da casa para a qual iria o suspeito de ser o motorista do crime, Elcio Queiroz, no dia do assassinato da Marielle.

 

Como vocês sabem, esse porteiro, em depoimento anterior, afirmou à polícia que não somente anotou em uma planilha de controle da portaria o número 58, como se fora a casa para onde se dirigia esse Elcio Queiroz, suspeito de ser o motorista do crime, como também teria telefonado para a casa número 58, que é do Jair Bolsonaro, por duas vezes, primeiro para pedir autorização para a entrada desse Elcio Queiroz e, depois, quando ele percebeu que o Elcio Queiroz não tinha ido para casa 58, voltou a telefonar para a casa para informar que o cidadão não tinha se dirigindo para lá, e foi informado por um tal ‘seu Jair’ que era isso mesmo, que ele sabia que o cidadão, o Elcio Queiroz, iria para outra casa, na verdade.

 

Segundo o porteiro, ele disse que foi pressionado pelo próprio erro, ele mudou inteiramente o seu depoimento, agora diz que se enganou ao escrever na planilha o número 58 e que teria inventado na Polícia Civil essa história dos dois telefonemas. Tudo isso pressionado pelo seu erro de ter escrito na planilha o número errado. Acredite quem quiser. Outra surpreendente declaração de ontem foi com relação ao seu próprio voto. Me refiro ao ministro Toffoli.

 

Ontem o Supremo abriu a discussão a respeito do acesso de órgãos de controle do Estado a informações que são consideradas sigilosas, principalmente do antigo Coaf, agora é Unidade de Inteligência Financeira. Em julho desse ano, o Toffoli deu uma liminar a pedido dos advogados do Flávio Bolsonaro pela suspensão das investigações aqui do Ministério Público do Rio em relação ao Flávio Bolsonaro e as suspeitas dele embolsar dinheiro de assessores quando eera deputado estadual aqui na Alerj.

 

O Toffoli deu essa liminar e ontem, em primeiro lugar, ele contestou essa interpretação que todos tivemos sobre essa liminar que suspendia essas investigações em relação ao Flávio Bolsonaro. Ele simplesmente disse que houve uma má-fé dos agentes públicos, inclusive do Ministério Público, que contestou isso, da própria imprensa, que não era nada disso, que estava tudo liberado e podia sim se continuar as investigações, mas, ao mesmo tempo, quando declarou seu voto, estabeleceu claramente restrições no repasse de dados da Receita Federal aos órgãos de controle, bem como o acesso do Ministério Público às informações da Unidade de Inteligência Financeira, ou seja, ficou dito pelo não dito.

 

Ele, na verdade, a pedido dos advogados do Flávio Bolsonaro suspendeu a investigação e agora diz que houve má interpretação. Acredite quem quiser também. E no meio de tantos e surpreendentes desmentidos, quem pontificou também foi o senhor Sergio Moro. Ele afirmou repudiar as insinuações de que teria recebido convite para o Ministério do Bolsonaro antes das eleições do ano passado. O jornalista Elio Gaspari recuperou essa história na sua coluna de ontem dos jornais O Globo e Folha de S. Paulo. Ele voltou a esse assunto porque já é requentado, foi inclusive confirmado pelo Paulo Guedes e outros também, o Bebianno, ex-presidente do PSL.

 

Agora o Sergio Moro ontem disse que não é nada disso e partiu para o ataque. Ele repudia insinuações dessa natureza. Conforme muito bem lembrava o compositor Tom Jobim, de fato o Brasil não é um país para principiantes. Esses depoimentos de ontem mostram muito bem que vamos de mal a pior. Aqui no Brasil, vale tudo e cada vez mais vale tudo em nome dos espertos, dos mentirosos, em nome daqueles que, na verdade, querem, claramente imbuídos pela máxima do governo Bolsonaro, destruir esse país. Só pode ser isso, e destruir a partir da desmoralização completa de toda opinião pública, de toda imprensa, de todos aqueles que têm um mínimo de responsabilidade e, principalmente, preocupação com o momento que vivemos no Brasil.

 

Ouça o comentário de Paulo Passarinho:

 

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