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Editorial – 22.02.2021

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A demissão do presidente da Petrobras, anunciada na última sexta-feira (19) por Jair Bolsonaro, não surpreendeu, visto que o ex-capitão mostrava desconforto com as pressões que vinha recebendo especialmente dos caminhoneiros por conta da política de preços da estatal, que promovia seguidos aumentos dos combustíveis. Veremos se a nomeação do general Silva e Luna, que não tem qualquer experiência no ramo, promoverá a necessária mudança nessa política.

 

Nós vamos nos aprofundar nesse tema ainda no programa de hoje, mas eu gostaria de fazer a leitura de uma ótima coluna escrita pelo jornalista Leonardo Sakamoto, publicada no sábado pelo site UOL, onde ele aborda as questões do momento na nossa política. O título da coluna é “Ao atropelar Daniel Silveira, centrão lembra a Bolsonaro quem manda de fato”:

 

Os 364 votos a favor de manter Daniel “Surra de Gato Morto” Silveira (PSL-RJ) no xilindró após ameaçar ministros do Supremo Tribunal Federal devem ter dado um suadouro no Palácio do Planalto. Não pela queda do deputado, totalmente descartável, ou mesmo pelo emparedamento de um comportamento golpista e violento do bolsonarismo. Mas pelo fato de o centrão ter lembrado a Jair Messias que, se quisesse, dava as mãos à oposição e conseguia seu impeachment.

 

Ou seja, manda quem pode, obedece quem tem juízo.

 

Claaaaaaaro que os deputados comandados por Arthur Lira (PP-AL) não vão fazer isso. Seria o equivalente a trocar uma galinha que bota cargos e emendas de ouro por um general que, aparentemente, não tem uma esposa que recebeu R$ 89 mil em cheques de Fabrício Queiroz, nem mantém um gabinete do ódio. Menos esqueletos no armário, menos poder de barganha no Congresso.

 

Mas #ficadica ao presidente da República não apenas para honrar seus compromissos passados (a entrega do Ministério da Cidadania não vai dar nem pro cheiro), mas também se lembrar que novas faturas chegarão caso a caso.

 

Bolsonaro não comprou um centrão, mas alugou seu voto – contrato que pode ser rompido unilateralmente em caso de falta de pagamento. Afinal, estamos ou não em uma sociedade capitalista?

 

Ao mesmo tempo, mostrou à oposição que impeachment deverá continuar como folclore, tipo a mula sem cabeça, o boto ou o curupira: há gente que tem certeza que está logo ali, mas a maioria não bota muita fé.

 

O presidente pode ser tosco, mas burro ele não é. Um recado como esse é claro demais para não ser entendido. Sinais, fortes sinais.

 

E com a intervenção na Petrobras que Jair operou, nesta sexta, trocando a direção da empresa com o objetivo de baixar o preço do diesel à força, ele evita problemas com os caminhoneiros e também dá um aviso ao centrão: privatizações não vão rolar, mesmo. Então, vai continuar tendo cargo à beça para ser ocupado por indicações políticas.

 

De quebra, deu mais um passa-moleque no mercado (que vive com ele uma relação tóxica de autoengano) e mostrou que Paulo Guedes é menos um economista com um projeto de país e mais uma pessoa que topa trocar sua dignidade pela manutenção de algum poder.

 

O Congresso sorri. E ainda vendeu a imagem de ético ao manter o colega atrás das grades. Serviço completo: barba, cabelo e bigode.

 

Em tempo: “Qualquer cidadão que conjecturar uma surra bem dada nessa sua cara com um gato morto até ele miar, de preferência, após cada refeição, não é crime”, disse o quase-ex-deputado Daniel Silveira para o ministro Edson Fachin, no icônico vídeo que o levou à cadeia. Na votação no plenário da Câmara, Silveira cumpriu o roteiro dos covardes, negando o que disse e fazendo mimimi.

 

Foram 364 votos a favor, 130 contra e 3 abstenções por manter sua prisão. Tenho certeza que ouvi um gato morto miar”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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