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Editorial – 25.06.2020

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O governo de Jair Bolsonaro não cansa de tropeçar nas próprias pernas. Um sinal claro disso foi a resposta do ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno a um questionamento feito pela Polícia Federal no âmbito daquele inquérito que investiga a suposta tentativa de interferência do presidente da República no órgão.

 

O oficial da reserva afirmou que Bolsonaro não teve “óbices ou embaraços” para troca da sua segurança pessoal e de seus familiares. Esse foi o argumento usado até aqui pelo chefe do Executivo para sustentar sua defesa neste episódio, especialmente por conta daquela fatídica reunião ministerial, onde o mandatário disse, em tom enfático: “Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”.

 

Os próprios aliados do governo no Congresso Nacional admitiram que a manifestação de Augusto Heleno complica a vida do presidente. Não bastasse isso, a própria Polícia Federal avisou ao Supremo Tribunal Federal que vai convocar Jair Bolsonaro para prestar depoimento a respeito desse inquérito nos próximos dias. A discussão agora será se o chefe de governo terá de ir pessoalmente dar seus esclarecimentos ou se eles serão enviados por escrito. Fato é que um presidente ser obrigado a prestar depoimento como investigado em um processo dá a noção do quanto o cargo máximo da nossa República está mal representado.

 

Um episódio lamentável que aconteceu ontem foi a aprovação no Senado do Projeto de Lei do novo Marco Legal do Saneamento Básico. Como nós adiantamos ontem, os senadores analisaram a proposta que já estava há quase dois anos no Congresso e permite a privatização das companhias estaduais de distribuição de água e tratamento de esgoto de todo o país.

 

Além de oferecer uma maior abertura do setor à iniciativa privada, o projeto prevê o estabelecimento de metas para a universalização do serviço. Como se o grande capital em algum momento da nossa história tenha se comprometido em democratizar algum tipo de serviço concedido pelo Estado, ou se esse mesmo Estado estivesse determinado a fiscalizar a atuação dos grandes conglomerados empresariais.

 

Em um momento onde o acesso à água tratada se mostra ainda mais fundamental por conta da emergência do novo coronavírus, onde o mundo inteiro reestatiza as empresas de saneamento, em um país onde quase 35 milhões de pessoas não têm acesso à água encanada e mais de 100 milhões, metade da nossa população, não têm coleta de esgoto, a aprovação do Marco Regulatório configura um crime contra o povo pobre deste país. É mais um retrocesso civilizatório no Brasil de Bolsonaro.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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