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Editorial – 30.07.2020

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A crise instituída entre a operação Lava Jato e a Procuradoria-Geral da República escancarou aquilo que já vínhamos denunciando há anos no Faixa Livre, esse processo de criminalização da atividade política. Só que um setor que a força-tarefa anticorrupção não tem o menor interesse em investigar, e isso nós também citamos há tempos no programa, é o Judiciário. Vou passar à leitura da coluna do jornalista Bernardo Mello Franco publicada ontem no jornal O Globo para mostrar um dos exemplos disso que acabei de citar. O título do texto é “A blindagem das togas”:

 

A Lava-Jato devastou o Congresso, implodiu governos, mas não consegue alcançar a cúpula do Judiciário. Em acordo de delação, Sérgio Cabral relatou pagamento de propina a dois ministros do Superior Tribunal de Justiça. O ex-governador indicou o caminho do dinheiro, mas seu depoimento vai adormecer para sempre numa gaveta brasiliense.

 

O caso foi sepultado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Como revelou o repórter Aguirre Talento, o ministro arquivou três inquéritos da delação de Cabral. Ele tomou as decisões sem alarde, em dobradinha com o procurador-geral da República, Augusto Aras.

 

Ontem a colunista Bela Megale revelou novos detalhes da história. Cabral afirmou à polícia que o empresário Orlando Diniz, um dos próceres da República de Mangaratiba, repassou R$ 25 milhões ao filho do ministro Humberto Martins. Trata-se do presidente eleito do STJ, com posse marcada para o próximo dia 27.

 

O ex-governador também delatou o ministro Napoleão Nunes Maia, que se aposenta em dezembro. Martins disse que não tem “nada a declarar”, e Maia nem se deu o trabalho de responder. Com a decisão de Toffoli, vai ficar tudo por isso mesmo.

 

A delação de Cabral foi fechada com a Polícia Federal e homologada pelo ministro Edson Fachin. Como manda o regimento, ele encaminhou o caso ao presidente do Supremo para o sorteio de um novo relator. Para a surpresa de colegas, Toffoli preferiu ouvir Aras, que comunicou seu desinteresse em investigar a história. O ministro é um cavalheiro e atendeu ao desejo do procurador.

 

Na prática, a decisão de Toffoli pode enterrar a possibilidade de qualquer nova delação à PF. Com o aval do Supremo, a polícia já havia fechado acordos com figurões como o ex-ministro Antonio Palocci, o publicitário Duda Mendonça e o empreiteiro José Antunes Sobrinho. Essas colaborações não dependiam de licença da Procuradoria. Até que esbarraram em togas ilustres”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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