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Editorial – 31.03.2021

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O clima de apreensão provocado pela minirreforma ministerial anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro se ampliou ontem (30), após o anúncio do Ministério da Defesa de que promoveria a troca no comando das Forças Armadas. Os comandantes do Exército, Edson Pujol, da Marinha, Ilques Barbosa, e da Aeronáutica, Antônio Carlos Moretti Bermudez, que já haviam mostrado insatisfação com a saída de Fernando Azevedo e Silva do comando da Pasta no governo, colocaram seus cargos à disposição por não concordarem com a tentativa de o Governo Federal politizar a atuação do alto comando.

 

Essa é a primeira vez desde a redemocratização que os comandantes das três Forças Armadas deixam o cargo ao mesmo tempo. A gota d’água nessa relação entre o ex-capitão e os militares foi a recusa de Pujol em criticar a decisão do Supremo Tribunal Federal que devolveu ao ex-presidente Lula seus direitos políticos.

 

De acordo com a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, os 16 generais quatro estrelas que formam a instância máxima da força militar discutiram a substituição de Edson Pujol e resolveram enviar um recado claro ao presidente de que o Exército não vai aderir às tentativas de Bolsonaro de pedir apoio ao governo contra o STF e a ações que vêm sendo cogitadas no interior do governo, como a decretação de um estado de Defesa ou estado de sítio.

 

Os prováveis novos comandantes devem ser, no Exército, o general Marco Antônio Freire Gomes, atualmente Comandante Militar do Nordeste. Já na Marinha, o favorito é o Almirante Almir Garnier, hoje Secretário-Geral do Ministério da Defesa. O detalhe é que os oficiais de alta patente dizem que ambos não devem atender com complacência todos os desejos do chefe do Executivo.

 

Bolsonaro, em seus sonhos mais sombrios, desejava hoje, dia do aniversário do golpe militar, anunciar medidas que ampliassem o seu poder, apoiadas pelas Forças Armadas, abrindo as portas para a aventura autoritária que ele planeja desde o início do seu mandato. O alto comando negou participação em um autogolpe e deixou claro seu afastamento do presidente, mas a pergunta que fica é a seguinte: será que ele precisa dos militares para estabelecer uma nova ditadura no país?

 

As milícias bolsonaristas estão sendo armadas pelo chefe do Executivo, as forças policiais ensaiam rebeliões, infladas por parlamentares que apoiam o governo. A presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Bia Kicis (PSL-DF) no fim de semana incentivou uma insurreição de PM’s na Bahia distorcendo a morte de um policial que, em surto psicótico, abriu fogo contra seus colegas de farda e foi morto. A parlamentar disse, nas redes sociais, que o soldado Wesley Góes seria um herói e foi abatido por não cumprir ordens do governador Rui Costa para “prender trabalhadores”.

 

A irresponsabilidade da deputada bolsonarista foi apagada em seguida das redes após a repercussão do fato. É esse tipo de discurso mentiroso e atentatório que encontra eco entre os apoiadores do presidente da República, e que precisa ser combatido pelo nosso Judiciário, com medidas firmes, antes que seja tarde demais.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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