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Eduardo Pinto: “Se Bolsonaro tivesse força para fechar Supremo, ele faria”

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A declaração preocupante do vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, na noite do último domingo (09) trouxe à tona, mais uma vez, o caráter autoritário daqueles que atualmente ocupam e orbitam a administração pública Federal no Brasil.

 

O político, que se licenciou da Câmara Municipal ontem (10), disse em postagem nas redes sociais: “Por vias democráticas, a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos… e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram, continuam nos dominando de jeitos diferentes”.

 

As reações foram imediatas não apenas na sociedade civil, mas nos demais Poderes que compõem a República, com manifestações de repúdio dos presidentes da Câmara e do Senado, e de ministros do Supremo Tribunal Federal.

 

O professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Eduardo Pinto garante que tal declaração do ‘zero dois’, como o próprio ex-capitão do Exército chama o filho, é apenas o reflexo daquilo que o clã bolsonarista expôs no decorrer do tempo em que está na vida pública.

 

“Na verdade, me surpreendeu zero a afirmação do filho do Bolsonaro porque se você olhar o que o Bolsonaro e os filhos já falaram longo da vida deles, durante a última campanha eleitoral para fechar o Supremo com um cabo e um soldado, não é nenhuma novidade esse argumento”, destacou.

 

As ameaças constantes à ordem democrática no país, aliás, já teriam sido postas em prática pelo presidente e seus herdeiros caso houvesse ambiente para tal, na opinião do economista.

 

“Se eles pudessem, se tivessem força para fazer nesse momento [fechar o Supremo], eles fariam, não tenho dúvida nenhuma. Vão justificar que ele estava querendo dizer que na democracia é difícil, isso é uma falácia. A questão toda é que eles não têm essa força para fazer um movimento desse tipo. Isso é uma característica marcante do clã Bolsonaro, o autoritarismo, a antidemocracia, isso sempre fez parte do repertório familiar e da percepção das estratégias políticas deles”, lembrou.

 

Eduardo falou também sobre o marasmo que a economia do país atravessa. Com indicadores negativos ou pouco animadores, o quadro não apresenta perspectiva de melhora tão cedo. O professor da UFRJ citou que é necessária a criação de um incentivo para que o panorama se altere.

 

“Há uma situação de estagnação econômica com chances no terceiro trimestre de termos um PIB negativo, mas se não for negativo, muito baixo, ou seja, a economia brasileira hoje precisa de um motor de arranque, de um estímulo inicial para fazer esse movimento. E esse movimento não virá pelas exportações porque o cenário externo não é dos melhores, não virá pelo consumo porque a renda do trabalhador está estagnada ou caindo”, avaliou.

 

“Mesmo que se amplie um pouco o crédito das famílias, elas não vão conseguir muito porque estão desempregadas, e se estão desempregadas ou em um trabalho precário, não vão conseguir consumir muito. O único possível motor de arranque nesse contexto seria um estímulo fiscal, que está completamente contido pela regra de ouro e pelo teto dos gastos. Isso inviabiliza qualquer estratégia governamental de dar um estímulo inicial para a economia voltar a crescer”, concluiu o economista.

 

Ouça a entrevista de Eduardo Pinto na íntegra:

 

 

Entrevista em 11.09.2019

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