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Fernandes critica posição favorável a embargo: “República de bananas”

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O grau de isolamento do Brasil no cenário da política internacional se amplia a cada dia. Decisões estapafúrdias e que vão contra posicionamentos históricos da diplomacia do país se sucedem, especialmente por conta do alinhamento de Jair Bolsonaro aos interesses dos Estados Unidos, personalizado na figura do presidente Donald Trump.

 

O último episódio se deu ontem (07), quando o país votou contra uma resolução da Organização das Nações Unidas que condena e pede o fim do embargo estadunidense a Cuba, alterando uma posição adotada desde 1992. Além do Brasil e dos EUA, apenas Israel apoia a medida. Outros 187 países votaram favoráveis e houve duas abstenções.

 

Cientista político do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Luis Fernandes mostrou-se surpreso com a decisão adotada pelo Itamaraty sob comando do ministro Ernesto Araújo.

 

“Diria que é estarrecedor. Não é nem que mude uma posição tradicional da diplomacia brasileira, porque já estão mudando em várias direções, mas essa é uma votação onde há praticamente uma unanimidade da comunidade internacional à crítica do embargo praticado pelos Estados Unidos contra Cuba. Os Estados Unidos sempre ficam isolados nessas votações na ONU sobre o embargo e, em geral, quem tem acompanhado é Israel por causa da aliança estratégica, mas parece moeda de troca em relação ao apoio que os Estados Unidos dá nas tensões e na crise do Oriente Médio”, ressaltou.

 

“Além de Israel, quem acompanhava os Estados Unidos nessa votação anteriormente eram pequenas repúblicas centro-americanas, Honduras, El Salvador, em geral quando tinham governos bem aliados e subordinados aos Estados Unidos. O Brasil, ao votar a favor do embargo, de uma política externa muito altiva, de grande influência no mundo, se reposiciona na formulação ideológica da sua política externa como uma nova República de bananas”, prosseguiu na crítica.

 

A orientação do Ministério de Relações Exteriores, na opinião do professor, mais do que refém dos desejos dos EUA, se coloca equiparado diretamente ao mandatário do país da América do Norte.

 

“Não é só um protetorado dos Estados Unidos, é uma peça subordinada da política externa do governo Trump especificamente porque o alinhamento não é nem com a posição dos Estados Unidos de maneira geral, é a um governo Trump que enfrenta crescentes turbulências políticas e talvez enfrentará dificuldades na sua reeleição. Temos um governo que se alinha por completo nas questões internacionais com uma posição que é isolacionista, protecionista, recessiva, unilateralista, então é uma tragédia para um país da importância do Brasil”, lamentou Fernandes.

 

O filiado ao PCB relacionou a queda do muro de Berlim, que hoje completa 30 anos, ao posicionamento dos Estados Unidos contra uma das poucas nações que ainda guardam resquício do socialismo no planeta.

 

“A queda do muro de Berlim finaliza um triunfo do mundo capitalista naquele confronto que constituiu a última grande ordem mundial, que é a ordem da Guerra Fria. Com o fim da Guerra Fria, o que estamos vivendo até hoje se relaciona com a votação do embargo contra Cuba praticado pelos Estados Unidos. Um embargo contra Cuba é um resquício dessa divisão internacional que havia do ponto de vista dos Estados Unidos, uma política de contenção do mundo socialista que se materializava aqui na política de asfixia do regime socialista cubano”, destacou.

 

Ouça a entrevista de Luis Fernandes:

 

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