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“Grupos de extermínio se veem sem qualquer pudor”, afirma sociólogo

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A eleição de políticos claramente avessos ao respeito dos direitos humanos no país tem levado ao avanço de um fenômeno que se deu no início dos anos 2000, especialmente nas regiões pobres do Rio de Janeiro: os grupos de milicianos, agentes do Estado que dominam os serviços básicos de determinadas comunidades, como segurança, distribuição de gás e de sinal de TV por assinatura, sob a intimidação e o poderio bélico.

 

Nos últimos meses, as milícias ganharam notoriedade com as denúncias de suposto envolvimento do chamado ‘escritório do crime’, grupo de extermínio que domina a região da Muzema, zona Oeste do Rio, na execução da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.

 

Especialista no estudo dessas organizações criminosas, o sociólogo e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) José Cláudio Souza Alves creditou à intolerância e à violência discursiva dos governantes o crescimento do número de mortes provocadas pelos milicianos.

 

“A ascensão do discurso da extrema-direita que se baseia na lógica do ‘bandido bom é bandido morto’ é dos grupos de extermínio, dos matadores da Baixada. Esse discurso agora vigora no país e no estado do Rio de Janeiro com o governador Witzel. As ações hoje servem como grande vitrine à direção do fortalecimento desses grupos. Eles se veem agora sem qualquer pudor, nadando de braçada em uma área que dominam, que se fortalece cada vez mais, que é a lógica do extermínio, da prática do assassinato dessa população”, ressaltou.

 

Autor do livro “Dos barões ao extermínio, uma história de violência na Baixada Fluminense”, que fala justamente sobre a ampliação do Estado repressor por vias criminosas, José Cláudio traçou um panorama histórico da violência institucionalizada no país.

 

“A sociedade se constituiu assim, há uma construção de um inimigo. Na época da ditadura, esses inimigos eram comunistas subversivos, grupos clandestinos, isso foi repassado progressivamente a partir do final da ditadura para a construção de um inimigo que seria esse morador de comunidades pobres”, lembrou.

 

Residente na Baixada, o sociólogo tem observado o aumento dos relatos de moradores da cooperação entre a estrutura policial e os milicianos.

 

“Hoje, por exemplo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, os últimos patrões do tráfico vinculados a uma das facções mais importantes, que é o Comando Vermelho, estão sendo varridos em uma estratégia do aparelho policial em parceria com as milícias, de tal maneira que essas operações agora são casadas”, alertou o professor da UFRRJ.

 

O apoio maciço da parcela da população com maior poder aquisitivo ao projeto da extrema-direita é fundamental para o avanço da violência, na opinião de José Cláudio. Para tentar combater essas estruturas, ele apela à união dos partidos ditos progressistas

 

“A esquerda acaba refluindo nesse processo, se jogando nele. Não vejo a população tão fortemente nas ruas, não vejo a crítica a esse processo eleitoral, até porque acho que a classe média que apoia esse projeto atual, que demoniza a esquerda, se vale desse discurso. Há uma cultura do ódio dominante nesse país e essa classe média é a grande guarda achando que vai se beneficiar dessa estrutura”, encerrou.

 

Ouça a entrevista de José Cláudio Souza Alves:

 

 

Entrevista em 04.09.2019

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