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Guerra comercial entre EUA e China não favorece Brasil, avalia Belluzzo

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A escalada da tensão entre os Estados Unidos e a China na disputa pela hegemonia global tem no campo comercial sua principal arena de batalhas. As iniciativas dos governos de Donald Trump e Xi Jinping em dificultar o comércio entre os dois países tem provocado retaliações de ambos os lados.

 

O economista e professor da Universidade de Campinas (Unicamp) Luiz Gonzaga Belluzzo considera que as divergências foram provocadas pelo processo de integração das nações iniciado no final do século passado.

 

“O conflito entre China e Estados Unidos é uma manifestação muito clara das incongruências, dos problemas trazidos pela globalização. Se tentarmos ser claros a respeito das informações, a economia chinesa cresceu em cima da expansão da internacionalização da economia americana depois de 1980, do reconhecimento da China pelos Estados Unidos”, assinalou.

 

“Os Estados Unidos foram a Pequim negociar e criou-se uma fronteira de expansão para a economia mundial e, nesse movimento, as empresas americanas e depois as europeias se dirigiram à China, onde as condições de produção, de ampliação do valor agregado em vários setores, exportação, se tornaram muito vantajosas. Isso criou o que chamo de uma economia sino-americana porque não dá para analisar as economias nacionais mais em si mesmas diante da ampliação da criação e do aprofundamento do movimento chamado cadeias globais de valor, que elas mesmas criaram”, continuou o economista.

 

Apesar de admitir o caráter inusitado da dinâmica que provoca tais conflitos entre as potências, Belluzzo lembrou que esta é a síntese do capitalismo no mundo, com diferentes protagonistas ao logo da história.

 

“Parece uma coisa estranha, mas a economia capitalista global funciona assim desde que surgiu sob a forma mercantil, depois sob a forma da hegemonia inglesa que na sociedade foi ultrapassada pelos Estados Unidos e pela Alemanha no final do século XIX. Agora isso se repete, eu diria com um espetáculo interessante de observar, ainda que suas consequências não sejam tão agradáveis. Isso chegou a um impasse porque a China, que era uma economia ancilar em relação aos Estados Unidos nos anos 1980, passou a ser a mais industrializada do mundo”, avaliou.

 

A discussão sobre o tema se acirrou após o governo chinês anunciar, na última segunda-feira (13), a elevação de tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos dos Estados Unidos. A decisão veio em retaliação a medida semelhante da gestão de Trump na semana passada.

 

Alguns analistas acreditam que o Brasil pode se beneficiar da guerra comercial por ter tarifas mais atraentes em relação aos países hegemônicos. Entretanto, o professor da Unicamp não concorda com a avaliação.

 

“O primeiro efeito evidente será sobre os fluxos de comércio e de capitais, que vão ser fortemente afetados e vão nos afetar. Essa conta que estão fazendo de que o Brasil vai se sair bem, que vai exportar mais grãos para a China, não é muito bem feita porque os efeitos do movimento de capitais financeiros, de retração dos mercados e de falta de consciência de mercados, que são muito importantes para a definição das políticas econômicas nacionais, certamente o prosseguimento desse conflito não será nada positivo para o Brasil, que já está em uma posição bastante fragilizada”, analisou.

 

Ouça a entrevista de Luiz Gonzaga Belluzzo na íntegra:

 

 

Entrevista em 14.05.2019

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