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“Irã sofreu derrota, mas americanos ficaram isolados”, ressalta Williams

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A repercussão da resposta iraniana ao ataque dos Estados Unidos que matou o general iraniano Qasem Soleimani se deu em escala reduzida pelo presidente Donald Trump. O bombardeio do país asiático a bases militares estadunidenses no Iraque foi visto pelo mandatário, em pronunciamento na Casa Branca, como um ‘recuo’ do Irã, já que provocou danos menores, sem mortes.

 

Contudo, o resultado da empreitada militar do país norte-americano no Oriente Médio é desfavorável, na opinião de alguns analistas. É o caso do professor de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) Williams Gonçalves.

 

O docente destacou que o presidente dos Estados Unidos tem pouco manejo com as responsabilidades do cargo que ocupa e decidiu autorizar o ataque à comitiva de Soleimani na tentativa de minimizar as tensões políticas que enfrenta em seu país.

 

“Penso que foi um recuo. O Trump não é um estrategista, é um negociante, ele não tem intimidade com as coisas do Estado. Ele fez uma aposta muito alta, de modo que só lhe restava avançar mais diante da resposta iraniana, por mais tímida que ela tenha sido. O Trump se arrependeu, agiu intempestivamente, ele não é um homem do establishment seja Republicano, seja Democrata, é um outsider”, avaliou.

 

“Ele está às voltas com dois problemas internos, um é o impeachment que todos sabem que não vai ser efetivado, uma vez que o seu partido tem maioria no Senado, e tem a campanha da reeleição. O Trump está mais de olho nessas duas questões internas do que propriamente na questão externa. Na questão externa, ele quis fortalecer sua posição interna, neutralizando seus adversários porque a guerra contra o Irã é, digamos assim, uma unanimidade no establishment dos Estados Unidos, especialmente naqueles setores ligados ao Estado de Israel”, prosseguiu Williams

 

A tímida reação dos aliados estadunidenses ao bombardeio, na opinião do professor, mostra o grau de isolamento que a medida provocou, ainda que o presidente Jair Bolsonaro tenha aprovado a ação. A posição de repúdio de chineses e russos amplia o desgaste de Trump.

 

“O Irã sofreu uma derrota tática, evidentemente, perdeu um homem importante do seu governo, mas ganhou uma vantagem estratégica porque os americanos também isolados, o apoio do Brasil não conta. Ele ficou completamente isolado com uma posição clara da Rússia e da China. Isso mostra que os Estados Unidos não tem mais o poder que tinha. Conserva o seu poder militar, que é indiscutível, mas não tem mais aquela capacidade de formar um coral atrás dele apoiando, justificando todas as suas intervenções, Portanto, do ponto de vista estratégico, ele perdeu”, advertiu.

 

A informação veiculada por órgãos de imprensa internacionais a respeito de uma atuação de Soleimani como intermediário de negociações entre o Irã e a Arábia Saudita, aliada dos estadunidenses, oferecem ao assassinato um caráter de traição.

 

“Isso reforça meu argumento porque o processo de tomada de decisão nos Estados Unidos é muito complexo. O presidente toma decisão a partir das informações que recebe, só que nos Estados Unidos o número de agências que atuam simultaneamente é muito grande e muitas vezes elas rivalizam umas com as outras, portanto não custa nada induzir o presidente a tomar uma decisão que interessa a um e não interessa a outros. Parece muito claro que o Trump foi induzido achando que estava fazendo uma grande coisa, tomando uma decisão que seria definitiva, que poria o Irã de joelhos”, relatou Williams.

 

Ouça a entrevista de Williams Gonçalves:

 

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