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“Nessa queda de braço do governo, saúde vai perder”, avisa Ligia Bahia

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A atuação dos diferentes órgãos do Governo Federal para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus tem motivado reações distintas de analistas e da opinião pública. A postura do Ministério da Saúde, liderado por Luiz Henrique Mandetta, contrasta com as atitudes do presidente Jair Bolsonaro e as medidas do responsável pela Pasta da Economia Paulo Guedes.

 

Não bastasse a liberação insuficiente de verbas públicas para atender aos efeitos provocados pela Covid-19 e proteger os mais vulneráveis, o mandatário editou, na noite do último domingo (22), uma Medida Provisória que permite a suspensão de salários e contratos de trabalho por até quatro meses, durante o período do decreto de estado de calamidade pública.

 

O texto tem efetivação imediata, mas precisa ser aprovado pelo Congresso em até 120 dias para não perder a validade. A médica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ligia Bahia condenou a iniciativa do Palácio do Planalto e apontou a possibilidade de ampliação da propagação da doença entre os profissionais que precisarão se expor para garantir sua sobrevivência.

 

“Essa medida provisória de hoje do presidente é uma coisa assustadora porque se de fato os contratos de trabalho não vão ser preservados, não há possibilidade de ter as estratégias de distanciamento social, de manter os trabalhadores em casa, de simular o trabalho online, as reuniões pela internet”, lembrou.

 

“De um lado temos o ministro da Saúde tentando conferir alguma objetividade, ter um corpo técnico do Ministério que tenta fazer com que essa racionalidade sanitária seja implementada, mas de outro vemos que o próprio presidente da República não está nem aí para isso. O que está havendo é uma tensão entre a área económica, a Presidência da República e a área da saúde, e certamente nessa queda de braço, a saúde vai perder”, constatou a docente.

 

Ainda que admita os acertos dos profissionais que administram a saúde no Governo Federal, Ligia apontou falhas na estratégia, especialmente na falta de orientação nos aeroportos para as pessoas que desembarcam de voos internacionais.

 

“A área da saúde não está respondendo à altura na escala do problema do coronavírus, há muitos furos. Os testes [para detecção da doença] demoram muito, os recursos para a saúde ainda não chegaram, as secretarias de saúde têm posicionamentos descoordenados. O Mandetta, pelo menos na retórica, está dizendo que existem problemas, que a ciência é importante. No momento, precisamos decidir: ou nos aliamos com o Mandetta ou a população vai correr mais riscos. Há o risco de se dizimar parcelas da população brasileira”, ressaltou.

 

A médica avisou que a os estudos para a descoberta de uma vacina contra o novo coronavírus estão sendo feitos em todo mundo. No entanto, os resultados efetivos deste trabalho ainda devem demorar meses. Ela listou algumas iniciativas para diminuir os problemas provocados pela da Covid-19 e lamentou a declaração do ministro da Saúde ontem (22) sobre cancelar o pleito municipal em outubro.

 

“[As medidas se dão] protegendo populações mais vulneráveis, usando hotéis para isolamento social, chamando solidariedade, transmitindo algum tipo de afeto como a [chanceler da Alemanha] Angela Merkel e o [presidente da França Emmanuel] Macron fizeram. Temos de constatar que essa epidemia nos pega no pior momento da história do Brasil, com retenção económica, com um governo completamente irresponsável, que só pensa na sua reeleição. Colocar as eleições no meio desse momento é de mau gosto”, encerrou

 

Ouça a entrevista de Ligia Bahia:

 

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