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“Prisão de Assange demonstra nova correlação de forças”, diz Kocher

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O episódio envolvendo a prisão Julian Assange ontem (11) representa não apenas uma mudança de posição do governo do Equador, que concedia ao cofundador do site Wikileaks asilo diplomático em sua Embaixada em Londres.

 

O encarceramento indica também uma mudança de direção na política mundial, até então embrionária, mas que vem se desenhando desde meados do século passado, na opinião do professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) Bernardo Kocher.

 

“O que assistimos na invasão do território equatoriano, mesmo que consentido pelo governo, demonstra toda a correlação de forças internacional que está se formando na última meia década, pelo menos, de reversão quase que total e absoluta do que ocorreu após a segunda guerra mundial. É uma vitória profunda das forças que se dizem do mercado, mas é, mais do que isso, uma articulação que eu creio que estejamos vivendo no Brasil sob esse governo atual”, relatou.

 

Asilado há sete anos, Assange enfrenta a acusação de crime contra a segurança de computadores nos Estados Unidos, com a publicação no Wikileaks de centenas de documentos classificados como secretos pelo Departamento de Defesa  do país.

 

Aliás, a gestão de Donald Trump não perdeu tempo e já pediu a extradição do ativista australiano ao Reino Unido. O presidente do Equador Lenín Moreno, no entanto, alegou que só encerrou o asilo de Assange pois o governo britânico garantiu por escrito que ele “não seria entregue a um país onde possa sofrer torturas ou pena de morte”.

 

“Ele foi vítima ao exercer a nobre função de informação da população, revelou todo um conjunto de práticas nefastas extremamente terroristas do estado americano em relação a quase todos os países do mundo. Sobraram para o Brasil as investigações não autorizadas sobre a Petrobras, sobre a Presidência da República”, lembrou Kocher.

 

A postura do mandatário equatoriano preocupa professor da UFF. Ele lembra que o refúgio oferecido a Assange foi uma garantia do ex-presidente Rafael Correa, de quem Moreno era vice. O líder anterior do país, inclusive, também sofre perseguição e está refugiado no Bélgica, onde mora com a esposa.

 

“Isso nos abala aqui na América Latina, o governo de Lenín na realidade traiu um compromisso do qual ele participou. Pelo que me consta, ele nunca manifestou diferença quanto a isso. Está se abrindo um pouco dessas pressões todas, me parece que o Estado do Equador foi tragado com promessas de benesses, de empréstimos para a entrega do Julian Assange”, encerrou.

 

Ouça a entrevista de Bernardo Kocher na íntegra:

 

 

Entrevista em 12.04.2019

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