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Williams Gonçalves sobre Equador: “Lenín Moreno está ensanduichado”

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O agravamento das manifestações do povo equatoriano contra as políticas de liberalização econômica implementadas pelo presidente Lenín Moreno, em entendimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI), parece ter alcançado um panorama de difícil reversão.

 

O último episódio se deu na última terça-feira (08), quando a população, liderada por indígenas e entidades sindicais, invadiu a Assembleia Nacional do país, centro do Poder Legislativo. Já prevendo o acirramento do quadro, o mandatário do Equador transferiu a sede do governo da capital Quito para a cidade de Guayaquil, onde se observa um nível menor de revoltosos.

 

O professor de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) Williams Gonçalves observa que o presidente do país encontra-se no meio de uma disputa entre o capital e os interesses da sociedade civil.

 

“A situação lá é muito complicada porque a resistência popular é muito dura, e o Lenín está ensanduichado. De um lado há os banqueiros, a mídia, o FMI exigindo que ele dê sequência ao programa, e de outro lado há uma força popular muito forte que já demonstrou que não aceita mudanças. Essa força popular já teve importância no passado, em outros governos, portanto temos ali um enfrentamento difícil e muito interessante para mostrar que essas políticas neoliberais são na sua essência antipopulares e só podem ser detidas com a coesão do povo”, citou.

 

O estopim para o início dos protestos se deu após o anúncio de Lenín Moreno, na semana passada, do fim dos subsídios governamentais para os combustíveis, o que provocou uma disparada nos preços. A medida se dá após um acordo do país com o FMI para a concessão de um empréstimo de US$ 4,2 bilhões.

 

O processo que se assemelha a uma revolução no Equador começou a ser gestado a partir da organização dos povos indígenas, etnia muito presente nos países andinos, e que teve alterado seu entendimento enquanto ator social.

 

“Os indígenas vêm se organizando há muito tempo. Enquanto eles se organizavam como campesinos, a coisa nunca avançava, mas como mudou essa ideia de camponês para indígena, a coisa aumentou. É a mesma coisa na Bolívia, a ideia de nação. Tanto no Equador, como na Bolívia esses indígenas são reconhecidos como nações, estados multinacionais, então a reação deles é muito forte, é uma reação nacional, não é apenas de classes. Não são camponeses de esquerda, é a nação indígena que se vê incomodada como um todo”, diagnosticou Williams.

 

SAÍDA DE TROPAS DOS EUA DA SÍRIA

O anúncio do presidente dos Estados Unidos Donald Trump da retirada das tropas norte-americanas do norte da Síria provocou temor dos aliados curdos na região, visto que eles passam a estar vulneráveis aos ataques da Turquia, com quem disputam poder territorial.

 

Os curdos, que atualmente somam 35 milhões de pessoas espalhadas por uma região entre Irã, Iraque, Síria e Turquia, tiveram papel de destaque no embate dos estadunidenses com o grupo Estado Islâmico.

 

Williams demonstrou surpresa com a decisão do governo dos Estados Unidos em levar seus militares de volta para casa e destacou uma espécie de contradição no discurso do mandatário do país da América do Norte.

 

“O Donald Trump surpreendeu a todos e criou uma enorme confusão. Estabeleceu um paradoxo porque, de modo geral, se critica o intervencionismo americano, a presença de tropas americanas em todo mundo. De repente diz ‘vamos tirar a tropa, não quero mais saber de guerra’, e todos reclamam. É interessante isso”, avaliou.

 

“O Trump está cumprindo as promessas de campanha, ele tem uma visão econômica, comercialista das relações internacionais, e essa posição vai ao encontro do que o americano médio entende a questão. Nada de gastos militares, nada de soldados voltando do interior mortos ou inválidos”, concluiu o docente.

 

Ouça a entrevista de Williams Gonçalves:

 

 

Entrevista em 09.10.2019

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