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Debate: Os rumos da cultura

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A pouca valorização da cultura, característica histórica presente na sociedade brasileira, se acentuou ainda mais durante o governo de Jair Bolsonaro. Iniciativas como o fim de um Ministério dedicado ao tema, a nomeação para cargos de direção em órgãos de fomento de figuras que banalizam a diversidade e ofendem artistas nacionais por convicções ideológicas e o baixo investimento em produções artísticas dão ideia da importância dada pelo ex-capitão do Exército à arte.

 

O programa Faixa Livre convidou os cineastas Luiz Arnaldo Campos e José Carlos Asberg, o cartunista Carlos Latuff e o vice-presidente do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio) Afonso Celso Teixeira para debater os desafios da cultura sob ataque do Governo Federal.

 

Nos últimos tempos, além das decisões que dizem respeito à aplicação de recursos públicos em projetos culturais, o Palácio do Planalto patrocinou uma série de indicações duvidosas para postos de comando em agências estatais ligadas ao assunto, como a Secretaria Especial de Cultura, liderada desde o mês de outubro por Roberto Alvim. O dramaturgo ganhou relevância ao ofender a atriz Fernanda Montenegro nas redes sociais.

 

Já a Fundação Palmares, responsável por consolidar políticas de igualdade racial no país, é dirigida por Sérgio Nascimento de Camargo, que chegou a chamar o líder quilombola Zumbi de ‘falso herói’. Para presidir a Fundação Nacional de Artes (Funarte), Bolsonaro indicou ontem (2) o maestro Dante Mantovani, que fez insinuações de que o ‘rock leva ao aborto e ao satanismo’.

 

“Eles têm esse comportamento porque não se julgam brasileiros, têm ódio de serem brasileiros. Na verdade, a capital deles é Miami, a cidade onde eles queriam morar era Orlando. Então é melhor que isso que turva a cabeça deles, cause estigmas na pele, desapareça”, criticou Campos.

 

Ao lado de Asberg, o cineasta é diretor da série “Depois do vendaval”, exibida no fim de 2018 pelo Canal Brasil, relatando fatos marcantes que sucederam o período da ditadura militar no país. Atualmente eles promovem uma campanha de captação de recursos para transformar a obra em documentário de longa-metragem para sua exibição nos cinemas.

 

“O ‘Depois do vendaval’ surge como uma trilogia. Cada um desses episódios retrata o movimento dos trabalhadores, a campanha da anistia e a refundação da UNE (União Nacional dos Estudantes). É uma campanha de financiamento coletivo, com o atual bloqueio da cultura no Brasil, que não vem de agora com Bolsonaro, começa já no governo Temer e na nossa área, particularmente, com a atuação do então ministro Sérgio Sá Leitão, que modificou as regras do fundo setorial, modificou a qualificação das produtoras junto à Ancine, e isso fez um afunilamento das produtoras. A diversidade, a multiplicidade, a regionalidade, tudo foi para o ralo”, lamentou Asberg.

 

Um dos que sofreram com o processo de censura velado que se pontifica no país foi o cartunista Latuff. Há duas semanas, uma de suas obras foi vandalizada pelo deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) em uma exposição na Câmara dos Deputados sobre o Dia da Consciência Negra.

 

O desenho exposto retratava um policial com uma arma em punho que acabara de balear um jovem negro algemado vestido com uma camisa alusiva à bandeira do Brasil. O cartunista caracteriza esta onda repressiva conservadora como uma revolução cultural.

 

“Não podemos esquecer que em todo regime de exceção, autoritário, um dos alvos preferenciais é a educação e a cultura porque dali sai a resistência intelectual. Foi o que aconteceu, por exemplo, no regime militar com os artistas, pensadores, professores. A cultura precisa ser atacada porque dali vai sair a dissidência”, observou.

 

“Houve a reforma trabalhista, se atacou os sindicatos, os direitos trabalhistas, obviamente os trabalhadores estão desmobilizados e hoje uma das fontes maiores de resistência é exatamente a intelectualidade, os setores delas e dos artistas. Se ataca os trabalhadores e também aquela voz que é mais ouvida, o artista tem muita visibilidade”, continuou Latuff.

 

Autor do livro ‘O mantra’, que questiona as condições de trabalho às quais os profissionais de educação estão sujeitos, com jornadas de trabalho exaustivas, Teixeira acredita que o aumento da repressão estatal impulsiona a produção artística no país.

 

“Nesses momentos é que a gente produz mais porque se indigna mais. Tenho um canal de vídeos de humor, o Poli Humor, e quando você ri do inimigo, o humaniza e tira ele dessa aura de poder. É a melhor coisa que a gente pode fazer”, destacou.

 

O patrulhamento promovido pelo poder instituído se estende também aos professores, de acordo com o dirigente do Sinpro-Rio. Ele chegou a citar um episódio recente como exemplo.

 

“Recebemos uma denúncia no sindicato, uma professora estava sendo denunciada porque queria montar uma peça de Chico Buarque. Nem todas essas pessoas pensam como se estivessem inventando isso propositalmente. É claro que ficamos animados porque produzimos muito, mas o que está acontecendo é um perigo principalmente a essa juventude”, concluiu.

 

Ouça o debate na íntegra:

 

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