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Editorial – 05.05.2021

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A CPI da pandemia no Senado começou ontem (04) a ouvir os primeiros depoimentos de ex-ministros da Saúde do governo Bolsonaro e, como se esperava, o que se viu foi um massacre às iniciativas implementadas pelo presidente Jair Bolsonaro no curso da pandemia de Covid-19. O primeiro a ser inquirido foi Luiz Henrique Mandetta, que estava no comando da Pasta assim que o novo coronavírus chegou ao Brasil, no final de fevereiro do ano passado.

 

O ex-ministro, que ficou pouco mais de 7 horas na presença dos senadores, afirmou que o ex-capitão duvidou da projeção elaborada por técnicos do Ministério da Saúde de que o Brasil chegaria às 180 mil mortes pela pandemia ao final de 2020 caso ações firmes do Governo Federal não fossem tomadas, compatíveis com as medidas internacionais, para impedir a propagação do vírus – houve 191 mil óbitos até o fim de dezembro do ano passado. Além disso, ressaltou que o governo não quis fazer uma campanha oficial contra a Covid.

 

Ele disse também que o chefe do Executivo tinha “aconselhamento paralelo” dos filhos em relação às medidas de combate à doença e que o deputado Eduardo Bolsonaro dificultava o diálogo com a China, principal fabricante de insumos médicos e hospitalares, por seus posicionamentos ostensivos contra os asiáticos, em especial nas redes sociais.

 

Outra afirmação importante e grave dada por Mandetta é de que viu uma minuta de documento da Presidência da República para que a cloroquina tivesse na bula a indicação para Covid-19, indo de encontro a todas as recomendações dadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de que esse medicamento não tinha qualquer eficácia comprovada contra a doença e que, ao contrário, poderia trazer efeitos colaterais aos pacientes que a utilizassem.

 

A única autorização dada pelo Ministério, segundo Mandetta, é de que hospitais utilizassem o medicamento em casos graves onde não houvesse mais qualquer possibilidade de terapia para frear o coronavírus, ou seja, pessoas que estivessem à beira da morte.

 

Os parlamentares governistas ainda tentaram argumentar a respeito da ocorrência do carnaval no país em 2020, época em que ocorreram enormes aglomerações por todo o país, se não seria necessário o cancelamento da festa por conta da propagação da doença. O ex-ministro lembrou que não havia qualquer recomendação da OMS neste sentido, e que a declaração de pandemia pelo órgão internacional se deu depois da folia.

 

Fato é que as coisas se complicam cada vez mais para o presidente Jair Bolsonaro. Mandetta revelou que recebeu, por engano, uma pergunta enviada pelo ministro das Comunicações Fábio Faria e que foi feita na CPI pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), reforçando a suspeita de que o governo tem alimentado seus aliados na comissão com questionamentos aos depoentes.

 

Não por acaso o ex-ministro general Eduardo Pazzuelo comunicou aos senadores que não pode depor presencialmente na CPI alegando necessidade de quarentena por ter tido contato com pessoas infectadas pela Covid-19 nos últimos dias. Ou seja, no popular, ele meteu um atestado para não encarar os parlamentares. Seu depoimento, no entanto, foi remarcado para o próximo dia 19. Vale lembrar que o militar tem passado por treinamento no Palácio do Planalto sobre como se comportar na sabatina.

 

Enfim, a situação de Jair Bolsonaro se complica e a CPI vai acumulando munição para que o senador Renan Calheiros prepare um relatório final que aponte os inúmeros crimes cometidos pelo chefe do Executivo. Veremos se até o fim da comissão, o ex-capitão conseguirá virar o jogo, absolutamente desfavorável para ele.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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